"Pois somos obra de Deus, criada em Cristo Jesus para fazer boas obras, que Deus preparou antecipadamente para nós fazermos." Efésios 2:10

Como leu isto, espero que leve um minuto para considerar o que significa ser obra de Deus.

Pensa bem: o Deus que criou o universo também te formou no ventre da tua mãe. Isso é o que o salmista estava falando no salmo 139:13 quando ele disse: " Porque você criou meu íntimo ser; você me tricotou no ventre da minha mãe " - e Deus disse ao Jeremias, o profeta: " Antes de eu te formarno ventre eu te conheci, antes de você nascer eu te formei; eu te designo como um profeta para as nações."

Da mesma forma, Deus criou-te com um propósito em mente. Nada sobre ti é um acidente. Nada é normal em ti. Você é original porque Deus é o artista, o criador.

Só há um tu, e foste criado por Deus, como Isaías 43:7 diz, pela sua glória.

Sê encorajado a ver-te como Ele te vê. E se ainda não o fez, porque não lhe pergunta o que ele planeja fazer com a sua vida que Lhe trará glória?




Nem sempre é fácil compreender a maravilhosa graça. As pessoas pensam, "se somos salvos pela graça, sem ter a necessidade de fazer obras para agradar e ganhar o favor de Deus, então que nos vai impedir de seguir pecando? Ou fazendo o que eu quiser?" As pessoas que fazem esta pergunta, ainda não perceberam que a graça de Deus nos alcança e nos liberta do pecado. Não somos mais a mesma pessoa, nem temos a mesma natureza, ainda que evite no coração as tentações e a debilidade da carne.

O cristão não é alguém que não peca, é alguém que não se agrada dele e se entristece diante do pecado que habita nele. O cristão não é uma pessoa perfeita, sem defeitos, somente é uma pessoa que acredita em Deus e deseja seguir os passos de Cristo pelo poder do Espírito Santo. É uma pessoa que está sendo transformada dia atrás dia. Por isso, diariamente, peca contra Deus, porém se arrependem e busca o auxilio do Espírito santo para ter uma vida transformada mais a imagem de Cristo.

O artigo de fé de hoje tenta responder aqueles que afirmam um cristão nunca poderia pecar depois de ser cristão. Essa ideia promove a visão errônea, sem base bíblica, de que o cristão é perfeito, sem pecado. Enquanto isto não é verdade.

ARTIGO XVI - DO PECADO DEPOIS DA CONVERSÃO
NEM todo o pecado cometido de bom grado depois da conversão é pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Por isso não deve negar-se a graça do arrependimento aos que houverem caído em pecado depois da conversão. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos da graça recebida, e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos de novo, e emendar a nossa vida. Devem, portanto, ser condenados os que dizem que já não podem mais pecar enquanto viverem aqui, e os que negam a possibilidade de perdão às pessoas verdadeiramente arrependidas.

O artigo de fé hoje tenta esclarecer uma questão antiga, a qual ainda hoje precisa de resposta. No inicio do século IV, as perseguições do Imperador Romano (Diocleciano) no Norte da África fizeram que muitos cristãos acabassem rejeitando sua fé Cristã. Abraçaram o paganismo para conseguir salvar suas vidas. Isto levou a que, uma vez passado o perigo, estes cristãos pediram voltar a comunhão na Igreja. A resposta do novo Bispo eleito de Cartago, Donato, foi que eles não poderiam ser recebidos de volta; porque tinham cometido um pecado terrível, depois de ter recebido o Santo Batismo. Isto causou uma cisma entre os partidários de Donato e a posição da Igreja que defendiam a possibilidade de receber de volta aqueles que se arrependiam com coração sincero e mudança de vida.

Bispo Donato e seus seguidores não compreenderam a graça de Deus. É verdade que, uma vez convertidos, somos santos diante de Deus pelos méritos e a obra expiatória de Cristo na Cruz. No entanto, ainda estamos sido regenerados e santificados. O apóstolo Paulo escreveu, "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é" (2 Coríntios 3:18).

Se você observa sua vida cristã, poderá perceber como Deus tem mudado sua vida através dos anos. Ele ainda está te mudando e transformando a cada dia. Esta é a maravilhosa graça de Deus. Ainda quando nos apartamos dEle, existe a possibilidade de nos arrepender e ser perdoados pelo Senhor. Deus é um Deus misericordioso e bondoso. Sempre pronto para perdoar os pecados daqueles que se arrepende dos seus erros e mostram fé em Jesus Cristo (Atos 3:19, 20).

Isto levanta a questão do pecado imperdoável. "Eu asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: é culpado de pecado eterno" (Marcos 3.28-29). Quais pecados são perdoáveis? E quais não?

A Bíblia nos mostra exemplos de pecados que são perdoados. Em 1 Coríntios 6.9-11, encontramos adúlteros que foram perdoados quando se arrependeram e mudaram de vida, recebendo o perdão de Deus. Outro caso interessante é o próprio testemunho do apóstolo Paulo que tinha recebido o perdão de Deus quando agira em ignorância contra Deus (1 Timóteo 1.13).

Talvez, o leitor se pergunte, será que eu tenho cometido um pecado que seja imperdoável por Deus? Deixe que te pergunte qual é sua reação diante do pecado na sua vida. Você sente prazer neles? Ou deseja mudar? Não responda rapidamente, toma um momento e reflita. É verdade que temos caído no mesmo pecado em várias ocasiões, inclusive outros percebam do nosso pecado, porém se o seu coração não está endurecido contra Deus e deseja obedecer ao Senhor (Provérbios 24.16), então tenha a certeza de que não tem cometido o pecado imperdoável.

Ainda que se senta com um sentimento de culpa pelos seus pecados presentes ou passados, isso não deve ser confundido com o fato de ter cometido o pecado imperdoável. Lembre-se as palavras do profeta Jeremias, "O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?" (Jeremias 17:9). Deus te perdoa, se você se arrepende dos seus pecados, ainda que tenhamos um forte sentimento de culpa. "Assim saberemos que somos da verdade; e tranqüilizaremos o nosso coração diante dele quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas" (1 João 3:19,20).

Judas foi uma das pessoas que claramente cometeu o pecado imperdoável. Ele chegou a falar sobre as necessidades dos pobres, enquanto ele roubava dinheiro (João 12.4-8). Ele estava tão perdido no seu pecado que vendeu a vida de Jesus por 30 moedas de prata. Jesus diz dele que era o filho da destruição (João 17:12). Jesus sabia que Judas nunca se arrependeria sinceramente. Em vez de confessar seu pecado a Deus, ele entregou o seu Senhor (Mateus 27:3-5; 2 Coríntios 7:10).

Aquele que tem cometido o pecado imperdoável, está tão decidido a praticar o pecado que nunca mais vai mudar sua atitude ou suas ações. Ele tem um coração endurecido pelo poder do pecado (Hebreus 3.12-13). O coração de uma pessoa assim pode ser comparado a um vaso de barro que foi para o forno. Ele não pode ser mais modificado. Seu coração se opõe a Deus de modo permanente (Isaías 45:9). Por isso, seu pecado é considerado imperdoável (Hebreus 10.26-27).

Aqueles que temos fé em Cristo e nos arrependemos sinceramente dos nossos pecados, clamando ao Espírito Santo que nos ajude a viver agradáveis ao Senhor e para a glória de Deus, podemos ter a certeza de que Ele nos não abandona e, com certeza, perdoa aquele que sinceramente deseja rejeitar as obras contrarias a lei de Deus. O mundo, talvez, não esqueça dos nossos erros passados, porém a graça de Deus nos alcança e nos limpa de toda a culpa passada para ser transformados a imagem de Cristo, dia a trás dia.

A segurança da nossa salvação está em Cristo. Nada nos pode separar do Senhor. O apóstolo Paulo escreveu assim, "Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8.38-39). Nada te poderá separar do amor de Deus, ainda se enfrenta as lutas mais desbastadoras. Não escute seu coração, ouve a Palavra de Deus e tenha fé de que Ele vai fazer aquilo que o Senhor prometeu que ia fazer na sua vida por Cristo, para Cristo e em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Lucas 15.11-32; Romanos 8.38-39; 2 Coríntios 2.5-11; 1 João 2.1-17.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é o Donatismo?

- O que é o pecado imperdoável?

- Como podemos certeza de que nossos pecados tem sido perdoados?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

LLOYD-JONES, Martyn, Salvos Desde A Eternidade, Editora PES, SP

RYLE, J.C., Santidade, Editora Fiel, SP.

YANCEY, Philip, Maravilhosa Graça, Editora Vida, SP.

ZAGARI, Mauricio, Perdão Total, Editora Mundo Cristão, SP.


O prévio artigo de fé aprendíamos sobre a centralidade da doutrina da justificação do homem. Hoje, estaremos aprendendo do papel das boas obras na vida cristã. O artigo de fé diz,

ARTIGO XII - DAS BOAS OBRAS
Ainda que as Boas obras, que são os frutos da Fé, e seguem a Justificação, não possam expiar os nossos pecados, nem suportar a severidade do juízo de Deus, são, todavia, agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo e brotam necessariamente de uma verdadeira e viva Fé; tanto que por elas se pode conhecer tão evidentemente uma Fé viva como uma árvore se julga pelo fruto.

A clareza evidência a verdade a qual somos expostos através do artigo de fé. Ele esclarece as práticas e ensinos tão preeminente na Idade Média, onde as pessoas acreditavam que seriam capazes de pagar os seus pecados através das boas obras. Estas boas obras poderiam ir desde um peregrinarem ao jejum em certos dias do ano. Porém, os Reformadores Ingleses rejeitaram tal ideia, como sendo verdadeira. Ainda que compreendiam que certas disciplinas espirituais poderiam ajudar as pessoas a crescer na graça e na maturidade espiritual, no entanto elas nunca poderiam ganhar a salvação ou ajudar a escapar da severidade do juízo de Deus.

Existe até os dias de hoje um grande grau de mal entendimento sobre a relação entre fé e obras. Muitas pessoas consideram que se não são necessárias as boas obras para a salvação e ganhar o favor de Deus, então isto nos levará a uma vida de libertinagem. Curiosamente, um dos movimentos cristãos que tem sido acusado até os dias de hoje do contrario, tem sido os Puritanos. Sendo que este ensino formava parte do corpo fundamental dos teólogos associados a este movimento teológico da Igreja da Inglaterra.

A fé nos salva e, também, é a nascente a partir da qual fluem as boas obras. Sem fé, não tem como dar fruto. A fé a semente que cresce no coração do crente que tem como resultado o fruto esperado das boas obras, conforme a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Esta ideia é dolorida, porque até os bons atos que realizamos, são simplesmente fruto da obra do Espírito Santo na vida do cristão. Enquanto o mundo nos ensina que somos capazes de fazer o bem, Deus nos ensina que o puro e inocente bem surge de um coração arrependido no qual tem brotado a arvore da fé em Cristo.

Temos que evitar a ideia de que não precisamos de boas obras. A ideia de que as boas obras não têm valor algum. O apostolo Paulo nos ensina que as boas obras são resultado da fé viva, e sinais da existência de um genuíno amor por Deus. Ele escreve aos romanos dizendo, "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida" (Romanos 6.1-2).

O batismo nos aponta a realidade da nova vida em Cristo. A promessa do batismo se faz realidade quando somos alcançados pela graça de Deus. Transformados em uma nova criação, os valores nos são convertidos para refletir a busca constante da Eternidade. É neste ponto onde as boas obras fazem sentido. A Eternidade é o nosso destino, nosso lar. Jesus foi para preparar o caminho até a nossa chegada quando Ele esteja voltando em glória para julgar os vivos e os mortos. Deus nos ama, seu amor não muda conforme nossas ações, no entanto nossas ações surgem do desejo de agradar ao Pai do Céu.

Isto resulta de difícil compreensão para o homem contemporâneo. Ele está acostumado a que seu valor seja resultado do performance. Muitas vezes os próprios pais acabam dizendo os seus filhos que eles serão amados somente no caso de que eles façam certas coisas. A sociedade nos instrui ou, talvez, nos programa para compreender o valor pessoal a partir das boas obras. Cristo quebra toda essa noção errada, nos liberta. Ele nos mostra que somos amados quando ainda estávamos longe do Senhor. A graça de Deus nos alcançou para e Eternidade na presença do Pai. Nada podemos fazer para agradar a Deus, contudo Ele nos convida a viver uma vida nova. Seguimos assim os passos de Cristo que fez todas as boas obras do Pai. Obedeceu como um ato de amor.

Deus se agrada das nossas ações, atos e boas obras que são frutos da verdadeira e viva fé e Cristo. Estas são realmente uma obra visível do amor que invisível que sentimos pelo Senhor. Esse amor nos alcançou e nos fez uma nova criação. Amamos, porque primeiro temos sido amados incondicionalmente pelo Pai.

Somos chamados a seguir o exemplo de Cristo, como os seus discípulos. O discípulo, se verdadeiro, segue os passos e ensinos do Mestre. Se não refletimos as ações de Jesus, como poderemos dizer que Ele é realmente Senhor das nossas vidas?

Isto não quer dizer que primeiro precisemos atingir o grau de perfeição antes de ser discípulo. Pelo contrario, o Mestre nos recebe tal como somos e onde estamos e, a partir dai, começa o processo de ensino e mudança de vida. Isto é claramente observado nos evangelhos do nosso Senhor Jesus Cristo. Os discípulos foram chamados e convidados a seguir Jesus. Eles não compreendiam o que a jornada tinha preparado para eles. Suas vidas não tinham ainda sendo moldadas, porém o tempo fez deles apóstolos de Cristo pela obra do Espírito Santo, os ensinos de Cristo e para a gloria de Deus.

Fé e boas obras vão juntas, porque a premissa final é a fé causa ambas. Isto talvez resulte difícil de compreender, como fé pode causar fé, porque o autor e consumidor da fé é Cristo. A fé viva é fruto de Cristo, porém a fé morta é resultado das emoções. As emoções nos levarão a sonhar no impossível como uma realidade alcançável hoje. Infelizmente, amanhã, todo será simplesmente uma lembrança mais. A fé viva nos traz diante da novidade de vida que é revelada ao mundo através das boas obras. Tiago nos ensina está realidade, "Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2:17-18).

Nem sei as vezes que já ouvi alguém que nunc amais voltaria a fazer certa coisa. Momentos depois se encontrava novamente envolvido em tais ações. Inclusive, se observamos a própria vida, não será difícil perceber este fato em nós. As boas obras são os frutos maturo da fé viva. São sinais para o mundo da fé que corre pelo nosso ser e da existência de uma verdadeira elação com Deus. Como a vida e as atividades do dia a dia, mostra que a sangue corre pelas nossas veias, do mesmo modo as boas obras são sinais da fé que habita em nós.

O apostolo João escreveu, "se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1:7). Jesus nos ensinou no sermão do monte que somos "o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5.14-16).

As boas obras são parte do chamado de ser a Santa Igreja de Cristo nesta geração. Não existe nenhum ato mais infeliz quando um cristão justifica suas perversas atitudes diante da sua incapacidade de seguir os ensinos de Cristo. Em vez de reconhecer o mesmo, acaba cometendo outro ato contra Deus. Nem sei o número de vezes que fiquei surpreso da capacidade das pessoas têm para justificar as ações mais inacreditáveis. Talvez, por isso, o próximo artigo de fé nos ensina um aspecto pouco considerado pelo homem. As boas ações nem sempre são agradáveis a Deus. Ainda que chocante, depois da consideração oportuna teremos uma compreensão perfeita desta realidade nunca conversada nos dias de hoje.

Se deseja conhecer quais são as boas obras agradáveis ao Senhor, simplesmente considere se são frutos da fé viva em Cristo ou resultado do seu próprio desejo? Sigamos os passos de Cristo e os ensinos de Jesus.


TEXTOS PARA MEDITAR

Mateus 5.14-16; Romanos 12.1-2; Efésios 2.8-10; Tiago 2.17-26.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Como definiria boas obras?

- Qual é a relação entre as boas obras e a fé?

- Qual é a função das boas obras na vida cristã?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

HORTON, Michael, Simplesmente Crente, Editora FIEL, SP

RYLE, J.C., Santidade, Editora Fiel, SP.

STOTT, John, Discipulo Radical, Editora Ultimato, SP.



Ainda lembrou a primeira vez que converse com um amigo sobre a maravilhosa graça de Deus, como é expressada no artigo de fé de hoje. A resposta dele foi de total rejeição. Ele ficou chocado diante da ideia de ser feitos justos separados das boas obras. Eu não compreendi a reação. Tentei convencer o meu amigo, porém sem sucesso.

"Como um assassino ou ladrão pode ser perdoado somente por ter fé?" Esta foi a maior dificuldade. As pessoas são conseguem enxergar que a salvação é conseguida através do próprio mérito e boas obras. Eles conseguiram mostrar assim que são dignos de ser filhos de Deus. No entanto, eles ficam escandalizados diante do ensino do artigo de fé de hoje:

ARTIGO XI - DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM
Somos julgados justos diante de Deus, somente pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não por nossos próprios méritos e obras. Portanto, é doutrina mui saudável e cheia de consolação que somos justificados somente pela Fé, como se expõe mais amplamente na Homilia da Justificação.

Um dos ensinos únicos da Santa Igreja de Cristo é o amor incondicional do Senhor, sendo demostrado pela graça de Deus. Esta doutrina é única a fé Cristã. Todas as religiões ensinam caminhos para alcançar a Deus, e a Bíblia nos ensina que Deus se fez homem, Jesus, para resgatar e salvar a humanidade. Isto foi feito quando ainda éramos pecadores e não merecíamos o amor de Deus. Ele nos resgatou, não porque fossemos melhores, nem perfeitos, nem pelos méritos e obras, somente pela graça de Deus.

Martino Lutero acredito que esta era a doutrina fundamental sobre a qual a Igreja estava fundamentada. Ele chegou a descobrir a importância do justo pela fé viverá, e fez da sua vida uma entrega para dar a conhecer esta doutrina fundamental da fé cristã. Lutero somente seguiu os ensinos do apóstolo Paulo quando escreveu que a justificação vem por meio da fé (Romanos 4.18-25), que não é outra coisa que a plena certeza da pessoa de Jesus. Ter fé é entregar-se inteiramente ao Senhor e dar a própria vida a Deus, como fez Abraão.

Jesus nos ensinou que não precisamos seguir certos rituais para alcançar a salvação. Jesus fez todo através da sua vida perfeita sem pecado e seu sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Deus nos dá vida eterna por causa do Seu caráter. Deus derramou Sua graça desde o início. Ele criou o muno para que a humanidade pudesse desfrutar dele (Gênesis 1.26-28). Ele não destruiu o mundo depois do pecado de Adão e Eva, pelo contrário Deus fez uma promessa de salvação (Gênesis 3.15). Ele continua cuidando, inclusive antes de ter nascido, "Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza" (Salmos 139:13-14).

A graça sempre esteve presente nos atos de Deus pela humanidade. Esta é a razão de que diante da inabilidade do ser humano, Deus atua através do Seu Filho Unigênito. "Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21). Sem Cristo, somos prisioneiros do pecado e incapazes de sair da condição em que estamos, não tem nada que possamos fazer para escapar do pecado e da morte (Romanos 5.12). O profeta Isaias escreveu, "Somos como o impuro - todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe" (Isaías 64:6). Por esta razão, os méritos e boas obras não conseguem nos salvar, nem justificar, somente o mérito de Cristo nos salva e nos alcançamos os benefícios pela graça mediante a fé.

As pessoas continuam acreditando hoje, como no passado, que elas vão conseguir fazer mais cosias boas que mal-intencionadas. Eu espero que sim, realmente. Porém, ainda sendo assim, ainda sendo a melhor pessoa da humanidade, ainda assim Deus requer que sejamos perfeitos (Levíticos 19.2; Deuteronômio 27.26; Gálatas 3.10). Se alguém pudesse levar vidas perfeitas seguindo a lei de Deus, alcançaria a promessa da salvação. "Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente" (Tiago 2:10; veja também Mateus 19.16-17; Lucas 10.25-28). Infelizmente, não é possível, porque somos pecadores por natureza (Salmo 51.5; Mateus 19.25-26). Somos inclusive incapazes de seguir nossos próprios padrões de conduta que esperamos outros seguir, como seremos capazes de obedecer perfeitamente a lei de Deus quando nossa natureza é pecar. "Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (1 João 1:8). Portanto, somos incapazes de ser julgados justos diante de Deus pelos nossos méritos e obras.

Deus não esqueceu o pecador, Ele deu a resposta que precisávamos diante da inabilidade do ser humano. Jesus tomou os pecados do mundo e derramou sua justiça para que Deus não veja mais o pecado que nos fez culpados de desobedecer aos mandamentos de Deus. O justiça e mérito de Deus nos foi atribuído para a nossa justiça. Temos sido resgatados da morte e do poder de Satanás sobre nossa vida. Somos feitos limpos, recebendo a plenitude da promessa recebida no Santo Batismo.

"Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus" (Romanos 3:23-24).

Somente precisamos ter fé. Acreditar que Jesus é capaz de cumprir aquilo que prometeu fazer por ti e por mim. "a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença" (Romanos 3:22, veja também Gálatas 5.5). Se você acredita o que Jesus fez por ti, Jesus fará exatamente isso. Não existe anda que possa fazer para merecer, ou receber, a graça de Deus que nos justifica diante de Deus. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8-9). A própria fé é um presente de Deus através da obra do Espírito Santo. Nós não temos como criar fé ou nós dar fé. Jesus é "o autor e consumador da nossa fé" (Hebreus 12.2).

Ainda hoje, tem muitas pessoas que não aceitam este dom de Deus. Eles não chegam a compreender como pode ser que Deus perdoe pecadores. A dificuldade destas pessoas é que não percebem o simples fato de que elas também são pecadoras, ainda quando sejam boas pessoas aos olhos da sociedade. O pecado habita em nós, e nos controla. Pensei somente quantas vezes você espera coisas dos outros que você mesmo não faz pelos outros. Nem somos capazes de seguir nossos próprios padrões de conduta e valores morais. Outros rejeitam toda a ideia de que Deus se fez homem. Por outro lado, tem pessoas que não conseguem seguir Jesus por medo de perder amizades, ou amigos, ou popularidade. Também tem aqueles que os prazeres do mundo são agradáveis demais. Qualquer que seja a causa por rejeitar a Deus, o fato é que muitos rejeitam Deus. O paradoxo é que a humanidade busca uma nova vida e um novo começo, no entanto rejeitam Aquele que pode dar uma nova vida pela fé em Cristo.

Se você é uma pessoa que acreditar que, no último dia, todas as coisas boas que tem feito serão colocadas em contrapeso por todas as coisas erradas que tem feito. E será capaz de sair ileso de tal situação. Te convido a reconsiderar teus pensamentos. Você nunca será capaz de sair indene pelos próprios méritos e boas obras, como temos visto. Somente o mérito de Jesus te salva, justifica e resgata da situação em que você encontra. Unicamente precisa ter fé em Cristo. Se rejeita a verdade de Deus, está confessando que não tem fé, nem acredita naquilo que Ele diz que pode fazer e que tem feito por ti. Isto inclui perdão de pecados e liberdade do poder do pecado e da morte.

O alvo de Deus é declarar o pecado justo, transformando todas as pessoas em novas criaturas em Cristo, as quais, através do novo nascimento, servem e amam ao Senhor fazendo visível o Reino de Deus e Sua justiça num mundo onde ninguém é capaz de praticá-la por sua própria força e vontade. As pessoas justificadas pela fé, assim se convertem em verdadeiros agentes de transformação do Reino. Diante de tal maravilhosa graça, nossa única resposta é viver vidas agradecidas e glorificar a Deus cada dia. Seu amor é incrível, incondicional, e mostra o caráter bondoso e misericordioso de Deus, o Criador Todo-poderoso. Esse amor nos transforma para viver uma vida transformada pelo poder do Espírito Santo. Nada nos dá tanta consolação e paz, como a doutrina da justificação pela graça mediante a fé em Cristo. Temos o privilegio e acesso ao Pai, podemos nos aproximar a Deus prontamente.

Agora, podemos ir ao mundo a servir e amar ao Senhor, como cada domingo o ministro declara na frase de Comissão. E o povo responde com alegria, EM NOME DE CRISTO.


TEXTOS PARA MEDITAR

Ecclesiastes 7:20; Isaías 64.6; Romanos 3.20, 23; Romanos 5.8; Tito 3.4-7; João 3.16; Romanos 5.1-2.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Como podemos ser julgados justos diante de Deus?

- Nossas obras podem nos ajudar a ser considerados justos?

- Porque as pessoas têm dificuldades de aceitar a justificação pela fé?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

MCGRATH, Alastair, Lutero e a Teologia da Cruz, Editora Cultura Cristã, SP

PIPER, John, O Futura da Justificação, Editora Tempo da Colheita, RJ.

SHEED, R.P, Justificação, Editora Vida Nova, SP.

STOTT, John, A Cruz de Cristo, Editora Vida, SP.




Hoje nos adentramos em um dos temas que tem causado uma quantidade inestimável de posts nas redes sociais, especialmente nos grupos de debate e teologia do Facebook. Não são poucos os textos, memes, artigos, livros e debates que têm sido escritos e criados para defender uma posição ou outra. Ao final, o ser humano tem livre arbítrio ou não?

A resposta se encontra no âmbito e compreensão do artigo de fé de hoje:

ARTIGO X - DO LIVRE ARBÍTRIO
A condição do Homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode converter-se e preparar-se a si mesmo, por sua própria força natural e boa obras, para a fé e invocação a Deus. Portanto, não temos o poder de fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus, sem que a graça de Deus por Cristo nos preceda, para que tenhamos boa vontade, e coopere conosco enquanto temos essa boa vontade.

A questão de livre arbítrio traz controvérsia, porque alguns consideram que a negação do livre arbítrio significa que somos simplesmente fantoches nas mãos de Deus, enquanto o outro lado afirma que se temos livre arbítrio, então Deus não é realmente soberano. Isto tem causado dois posições enfrentadas, e uma conversa difícil de resolver quando cada parte tenta mostrar a certeza da sua posição em contra da outra.

O significado real deste artigo de fé se encontra com o desejo de responder à questão, O que uma pessoa pode contribuir para conseguir sua salvação? A resposta é simples, NADA. Isto será explicado ainda mais no próximo artigo de fé quando vejamos toda a questão da justificação pela fé. Aqueles que se oponham a posição dos Reformadores, acusaram de que eles estavam dizendo que o ser humano não tinha nenhum livre arbítrio. Isto não ajudou com o surgimento nas gerações posteriores de posições teológicas radicais que negavam qualquer livre arbítrio por parte do homem e adoptando certo nível de determinismo para defender a soberania de Deus, como se Deus precisará que nos ajudássemos a Ele defender e manter a fé na soberania de Deus. Deus é Deus, e Ele é o Deus Todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra.

Este artigo de fé, claramente, é mais agostiniano que hiper-calvinista. Por isso, os reformadores e luteranos conseguem afirmar o mesmo, enquanto anglicanos e luteranos nem sempre afirmam a Confissão de Fé de Westminster.

Este artigo não nega o livre arbítrio e, ao mesmo tempo, nega a capacidade moral do ser humano de se converter e se preparar para chamar a Deus, ou ter a fé que leva a ser justificados diante de Deus. Isto é o que dizemos com claridade, ainda que muitos não querem ouvir. O ser humano é livre para fazer escolhas pessoais, contudo sua natureza está morta e corrompida pelo pecado, original e atual. Depois da queda, todos estamos mortos espiritualmente, ainda que nossa alma e corpo esteja vivo, nosso espírito está morto. Por esta razão, nossa alma poderá até procurar a Deus, porém a procura não será por amor ao Senhor, será uma busca de um Deus que dê aquilo desejado pela pessoa. Esse Deus será um deus feito a imagem e semelhança do homem ou da mulher que criou esse deus. Isto é idolatria, por isso ainda que a pessoa declare ter fé, não existe uma fé que busca o Deus vivo e verdadeiro, sem a ajuda do Espírito Santo que nos faça nascer de novo espiritualmente.

Evidentemente, existe muitos motivos pelos quais as pessoas são boas. A própria sociedade que vivemos nos ensinará comportamentos e padrões de conduta que determinará aquilo que é uma pessoa boa e uma pessoa malvada. Infelizmente, tais padrões diferem de cultura a cultura e de nação a nação. Por este motivo, muitas pessoas que mudam para outra cultura ou nação, acabam enfrentando choque cultural. Eles enfrentam uma nova situação onde padrões de conduta são diferente, e alguns dos valores positivos anteriores, talvez, nem sejam tais na nova cultura. Isto pode ser coisas tão simples como as brincadeiras. Uma brincadeira que é considerada engraçada em uma cultura, pode não ser apropriada em outra.

As pessoas são sim boas no seu contexto social e cultural, porém este artigo de fé está considerando a capacidade do homem de procurar a Deus pelas suas próprias forças e discernimento, de acordo a mente e desejo do Senhor. Aí é onde o homem não tem livre arbítrio. O ser humano somente será capaz de agradar a Deus, se o Espírito Santo planta fé no coração dele através da Sua obra e a pregação da Palavra de Deus. Isto significa que nos não conseguimos chegar a ser cristãos pelo próprio esforço. Depois da queda, a capacidade de escolher crer em Deus, foi destruída e, por esta razão, somos incapazes de acreditar no Senhor. Não há obras agradáveis a Deus separadas das boas nascidas do fruto de uma fé viva em Cristo. O Espírito Santo realiza tal maravilhosa obra através da Palavra e Sacramento (Santo Batismo e Santa Comunhão).

A noção de que uma pessoa pode escolher crer em Deus e fazer aquilo que Ele ordena na Sua santa lei porque o ser humano nasce bom, é rejeitada. Como temos visto ontem, esta posição foi rejeitada pela Santa Igreja Católica ao redor de 1,500 anos atrás. Se ontem comentava como esta ideia é presente, alguns comentários recebidos nas últimas horas, tem confirmado isto. Inclusive, persiste esta ideia entre muitos cristãos.

Eu não neguei que as pessoas possam fazer coisas que, superficialmente, pareçam agradáveis a Deus. O problema reside os motivos no coração do homem. As pessoas podem até cumprir alguns dos mandamentos da lei de Deus. Porém serão incapazes de cumprir plenamente e perfeitamente os mandamentos de Deus. No entanto, se vangloriaram de que têm cumprido alguns mandamentos de Deus e, rapidamente, apontaram seu dedo para aqueles que não tem feito. É verdade, a maioria pessoas nunca mataram ninguém, ou roubaram dinheiro diretamente dos outros. Porém será que não tem matado de pensamento e palavras, e têm roubado não dando o que era para ser pagou a receita federal ou um empregado, por exemplo.

As obras que agradam a Deus são aquelas que procedem da fé. Separados de Cristo, não há fé verdadeira, portanto Deus não se agrada das obras feitas pelo homem pelo seu próprio prazer, glória e honra.

O homem contemporâneo tem grande dificuldade de aceitar a ideia de que ele nunca será o suficiente bom para ir até Deus, sem a ajuda e a chamada de Deus pelo Espírito Santo. Isto é devido a várias questões, porém existe um ponto que sempre me chamou a atenção. Temos sido ensinando desde criança que o ser humano é o centro da criação, não Deus. Deus nos ensina que Ele é o Criador e Sustentador do Universo, somente Ele merece toda a honra, glória e louvor, agora e para sempre. A graça de Deus nos alcança em Cristo pelo Espírito Santo para que uma verdadeira transformação espiritual aconteça em todos nos.

Em Romanos 7, se nos apresenta uma situação bem conhecida pelo homem de hoje. Não são poucas vezes que acabamos fazendo aquilo que somos conscientes não é apropriado. Por outro lado, nem sempre fazemos aquilo que deveríamos fazer. O Livro de Oração Comum tem uma oração que expressa este paradoxo da seguinte forma,

"Deus todo-poderoso, nosso Pai celestial, confessamos, arrependidos, ter pecado contra Ti em pensamentos, palavras e obras, tanto no mal que fizemos como no bem que deixámos de fazer por negligência, fraqueza e intenção. Por amor de teu Filho, Jesus Cristo, que morreu por nós, perdoa-nos todo o passado e concede que Te sirvamos com vidas renovadas, para glória do teu Nome. Amém."

Este paradoxo é exatamente o fato de que o homem não é totalmente, nem plenamente, livre como ele tem feito acreditado ser. Existem escolhas que, ainda desejando fazer, não conseguir realizar, sem a obra do Espírito Santo, ainda quando é consciente de ser a decisão moral correta.

Estamos tão envolvidos em satisfazer os próprios desejos da carne, que nem percebemos o estado espiritual em que nos encontramos. Isto não deveria nos surpreender quando percebemos o nível de divorcio, gravidez de jovens não casadas, ou os casos de acidentes de trânsito por causa de um motorista bêbado. Estes são só três casos de muitas outras situações que nos reparamos diariamente. Culturalmente, encontramos frases como "tirar vantagem", "para o inglês ver" e "jeitinho brasileiro" que nos lembra a aceitação de padrões inapropriados, porém aceitos quando a pessoa se beneficia em contra dos outros. Por outro lado, reclamamos quando tal nos afeita de forma negativa.

O artigo de fé de hoje nós ensina uma grande lição, ainda quando nem sempre nos agrada ouvir certas verdades que nos ajudaram a ser a pessoa a qual Deus nos criou a ser em Cristo. Sejamos agradecidos pela graça e misericórdia de Deus conosco, e estejamos sempre prontos para louvar e dar ação de graças a Deus que nos chamou e fez possível ser parte da Santa Igreja de Cristo pela obra do Espírito Santo.


TEXTOS PARA MEDITAR

João 6.44; Romanos 7; Romanos 8.8; 1 Coríntios 2.14; Efésios 4.17-32.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é livre arbítrio?

- Em qual sentido podemos afirmar que temos livre arbítrio?

- Qual é o objetivo do artigo de fé de hoje?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

AGOSTINHO, Livre Arbítrio, Paula Editora, SP.

LUTERO, Martin, Nascido Escravo, Editora Fiel, SP.

SPROUL, R.C, Nós Temos Livre Arbítrio?, Voltemos ao Evangelho.




Os cristãos sempre ensinamos que o evangelho é as boas novas de Cristo, porém nem todos compartilhariam tal ideia, devido a que as boas novas têm um lado não tão amável, de fato a realidade do pecado é terrível. Isto causa estupor para aqueles que não compreendem, nem conseguem aceitar toda a ideia do pecado original. A maioria das pessoas têm na mente que as crianças são inocentes, e boas, não tem nada de ruim nelas. Porém, todo o conceito de pecado original vai encontrar o pensamento popular que prevalece na sociedade de hoje. "Como pode ser que uma criança recém-nascida seja já pecadora?", diz o mundo diante de tal afirmação.

O ensino bíblico do pecado original é inegável, porém existe uma dificuldade em aceitar que tal seja o caso. Possivelmente, seja a mesma reação que muitos pacientes de doença terminal tem quando ouve a notícia. Será que realmente somos pecadores?

O artigo de fé de hoje nós ensina sobre esta doutrina, ainda que impopular, não deixa de ser parte essencial do estado do ser humano depois da queda. Ainda quando seja difícil ouvir, não por isso devemos de deixar de anunciar e ensinar ao respeito do pecado original.

ARTIGO IX - DO PECADO ORIGINAL
O Pecado Original não consiste na imitação de Adão (como em vão propagam os pelagianos); é, porém, a falta e corrupção da Natureza de todo homem, gerado naturalmente da semente de Adão; pelas quais o homem dista muitíssimo da retidão original e é de sua própria natureza inclinada ao mal, de sorte que a carne sempre cobiça contra o Espírito; e, por isso, toda a pessoa que nasce neste mundo merece a ira e a condenação de Deus. E esta contaminação da natureza ainda permanece também nos regenerados, pela qual o apetite carnal, chamado em grego phronâma sarkos (que uns interpretam sabedoria e outros, sensualidade, outros, afeição, e outros, desejo carnal), não é sujeito à Lei de Deus. E apesar de que não há condenação para os que creem e são batizados, contudo o Apóstolo confessa que a concupiscência e luxúria têm de si mesmas a natureza do pecado.

A doutrina cristã sobre o pecado original é que, depois da queda de Adão, todos os homens nascem pecadores; em outras palavras, com a natureza pecadora. Isto significa que temos sido contaminados pelo pecado de tal modo que ele tem tomado controle do nosso corpo. Isto não é tão diferente de uma pessoa viciada em drogas ou um alcoólatra. O vicio tem tomado conta das suas vidas até tal ponto que a pessoa acaba mudando.

Diante de tal mensagem, existe pessoas que reagem se opondo a tal ideia. Isto não é novo. No século IV-V, Pelagius foi um monge de Bretanha, atual Reino Unido, que ensinou a possibilidade do homem de escolher o bem e o mal, porque a natureza do homem era boa. A posição ensinada por Pelagius foi condenada pela Igreja de Cristo, nunca sendo aceita por nenhuma igreja cristã. Infelizmente, esta ideia não é diferente da que muitas pessoas têm hoje. A ideia de que o homem consegue resistir o pecado e viver sem pecado, levanta diversos problemas a ser considerados.

Primeiro, se o homem não comete pecado, podendo escolher ser bons o tempo todo, então não precisa de salvação. A morte de Cristo não faria sentido, porque Ele entregou sua vida para nos resgatar do pecado e da morte (resultado do próprio pecado). O homem poderia entrar no Céu pelo seu próprio mérito e esforço, possivelmente não esteja muito longe das ideias que muitas pessoas possuem, "Eu sou bom e, portanto, vou ao Céu". Deus nos ensina de forma diferente, "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20:9).

Segundo, a realidade diária mostra o fato de que o homem, ainda quando tenta ser bom, acaba cometendo pecado em alguma área. É verdade que as pessoas não usam o termo pecado, porém usam erros, equivocações ou culpas. O termo "pecado" resulta muito forte, como se fosse somente usada para pessoas que são ruins demais, sem opção de redenção. Na verdade, paradoxalmente, todos nos cumprimos essa definição aos olhos de Deus. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus..." (Romanos 3:23). Se todos tem pecado, é impossível para o homem vencer o pecado.

Terceiro, se negamos a condição em que o homem está, será difícil tomar as medidas para curar aquilo que tem tomado controle da nossa vida. Uma das maiores dificuldades de um alcoólatra e um viciado é perceber e, depois, reconhecer que precisa de ajuda se deseja sair da condição que se encontra. Somente então poderá tomar os passos para vencer sua dependência. Cristo venceu o poder do pecado sobre o ser humano, e Ele é a resposta as consequências do pecado original sobre o ser humano. Ainda quando temos sido regenerados, ainda existe tal tentação e contaminação. O artigo de fé define tal estado, usando o termo grego phronâma sarkos (que uns interpretam sabedoria e outros, sensualidade, outros, afeição, e outros, desejo carnal). Este é o desejo que tenta controlar e dirigir as paixões do homem para seguir seu próprio caminho, em vez de seguir o caminho do Senhor.

Se deseja compreender o poder do pecado original sobre sua vida, somente precisa pensar quantas vezes você se prometeu que nunca mais iria fazer isto ou aquilo para, logo depois, se surpreender fazendo de novo. Ou quem não fez já uma promessa de final de ano para, logo depois, não seguir a mesma. Isto acaba sendo uma brincadeira, porque assim é mais fácil que aceitar a realidade de que não conseguimos vencer o pecado.

Outra situação curiosa é que os padrões de conduta colocados para os outros, não são seguidos por nós mesmos. Esperamos que os outros façam aquilo que nos não estamos dispostos a viver. Se não nos conseguimos seguir nossos próprios padrões de conduta, será que conseguimos seguir aqueles colocados por outras pessoas? E pelo Deus Santo e Perfeito?

Temos caído dos padrões morais e de conduta, não somente de Deus, porém os nossos próprios também. A lei de Deus nos condena, porque não seguimos ela. Também, nós mesmos nos condenamos pelos próprios padrões que colocamos a outros, porém falhamos em seguir. Todo isso serve como uma clara sinal da condição humana. Nossa natureza tem sido influenciada de forma profunda pelo pecado de Adão, e nascemos com uma condição impossível de resolver, a natureza do homem está corrupta pelo pecado de Adão e pelo próprio pecado.

Nos rejeitamos tal declaração. Alguma coisa em não se resiste a aceitar tal proposta, como estando certa. Alguma coisa deve estar errada, no entanto os defeitos dos outros nos lembram dos próprios defeitos. De fato, percebi já faz tempo que aqueles defeitos dos outros que mais me incomodam, são os mesmos próprios defeitos. Jesus diz certa vez, "Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?" (Mateus 7.3). Depois de 2,000 anos, ainda resulta relevante estas palavras.

Não adianta correr longe de Deus, porque não poderemos escapar da própria condição. O homem chega a ofender a Deus, e negar sua existência, para justificar seu próprio pecado e iniquidade. Pensando que isto resolverá sua condição. O fato de que todos façam uma coisa, não faz que a mesma seja correta, ou boa. Pelo contrário, muitas vezes, as pessoas seguem a corrente das pessoas, ainda sendo consciente de que aquilo está errado de um jeito ou outro.

A condição de pecado do ser humano nos aponta a necessidade de encontrar uma cura. A cura se encontra na Cruz e Ressurreição de Cristo. O Salvador que precisa o homem, é também o Senhor que nos ensina como viver vidas satisfatórias e transformadas pelo poder do Espírito Santo.

Nesta Quaresma, e qualquer outro momento do ano, seja um tempo para considerar em que área da nossa vida temos deixado o desejo pelo pecado controlar nossa vida e quais atitudes e comportamentos devem mudar para agradar ao Senhor. Isto nos ajudará a perceber nossa incapacidade de viver uma vida em plenitude e felicidade sem a presença de Deus e a obra do Espírito Santo. Todos nos precisamos do nosso Salvador, Jesus Cristo. Somente Ele nos reconcilia com o Pai e nos faz uma nova criação pelo Espírito Santo. Sejamos agradecidos a Deus pelo perdão e a nova vida que nos tem dado em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Gênesis 3.1-19; Proverbios 3.5-6; Mateus 7.3; Romanos 3.9-23; 1 Coríntios 15.21-22.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que é o pecado original?

- Porque os ensinos de Pelagius são equivocados?

- Qual é a nossa condição humana?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

BRIDGES, Jerry, Pecados Intocáveis, Editora Vida Nova, SP.

SHEDD, Russell, Pecados e pecadinhos, Shedd Publicações, SP.

SHERLOCK, Charles, A doutrina da Humanidade, Editora Mundo Cristão, SP.





Se houvesse um dos artigos de fé que resume toda a fé Cristã, sem dúvida alguma seria o artigo de fé de hoje. A importância é tal que ficou sem palavras diante do grande desconhecimento que existe entre os cristãos sobre esta questão. As doutrinas essenciais da fé Cristã são confundidas com outras doutrinas fundamentais, porém se faz necessário esclarecer para trazer luz onde tem prevalecido tanta escuridão. Por isso, os 39 Artigos da Religião declaram e afirmam as doutrinas essenciais dos Credos Gerais da Santa Igreja de Cristo, proclamando assim a catolicidade da fé Cristã.

ARTIGO VIII - DOS TRÊS CREDOS
Os três credos a saber: os Credos Niceno, Atanásio e o que normalmente se chama Credo dos Apóstolos, devem ser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com autoridades inegáveis das Sagradas Escrituras.

Os 39 Artigos da Religião têm sido dividido em três partes: as doutrinas católicas, as doutrinas protestantes reformadas e as doutrinas estritamente anglicanas. Com o Artigo VIII, finaliza a seção das doutrinas católicas, no sentido das doutrinas próprias da fé Cristã que todo cristão deve crer e receber para ser um verdadeiro discípulo de Cristo. O fato do último artigo desta seção dedicada aquelas doutrinas universais estejam dedicadas aos Credos Gerais, mostra a maestria do Arcebispo Cranmer, porque é nos Credos que encontramos o sumário da fé Cristã.

Durante a Reforma Protestante, as igrejas aceitaram estes credos, e fizeram questão de afirmar os mesmos nas suas confissões de fé e artigos da religião. Os Reformadores se entendiam sendo os verdadeiros Católicos e continuadores da fé Cristã, em oposição a Igreja de Roma que tinha se desviado e afastado da verdadeira fé. Ainda quando a Igreja de Roma e as Igrejas protestantes afirmavam os mesmos credos, existia divergências fundamentais na compreensão dos próprios Credos Gerais.

Seja como foi, o simples fato é que não existe como ser cristão sem crer e receber os mesmos. Nos últimos tempos, temos visto diferente modelos para que uma pessoa pudesse fazer uma confissão publica da sua fé, porém não existe nenhuma profissão melhor que pronunciar publicamente em voz alta os Credos, compreendendo o significado dos mesmos.

Infelizmente, o espaço deste texto não permite esclarecer os ensinos e doutrinas essências dos Credos, como o autor gostaria, no entanto poderá encontrar livros e referência que ajudaram ao leitor a conhecer melhor estes Credos e os ensinos dos mesmos. Não deixe passar a oportunidade para conhecer melhor a fé Cristã, como tem sido expressada desde os primeiros séculos da Igreja de Cristo

O CREDO DOS APÓSTOLOS

Existe uma lenda de que o Credo dos Apóstolos teria sido escrito na noite de Pentecostes. Na verdade, não há nenhuma razão para acreditar tal coisa. É verdade que, nos primeiros séculos, surgem sumários de fé que dariam origem com o tempo ao que hoje conhecemos como o Credo dos Apóstolos. Na forma atual, aparece nos escritos de Priminus, fundador de um mosteiro no século 8. Este Credo ganhou muita popularidade durante o reinado do imperador Carlos Magno. Possivelmente, foi uma versão abreviada do Credo Romano, contudo não existe certeza disso.

O Credo dos Apóstolos é mais usado no Culto Cristão das Igrejas de Ocidente. No Livro de Oração Comum (LOC), se usa no Batismo e na Oração Matutina e Vespertina, com a exceção dos treze dias do ano que se usa o Credo de Atanásio.

O Credos dos Apóstolos pode ser dividido em três partes, e doze doutrinas essências. Por motivos de espaço, estarei somente apresentando as três seções principais deste Credo:

Criação - Creio em Deus, Pai Todo Poderoso, criador dos céus e da terra

Esta seção declara com plena confiança que Deus nos fez e fez todas a Criação. Ele nos deu o corpo e alma, olhos e todos os membros do corpo, como também a capacidade pensar, os sentidos e a razão, e continua cuidado de nós. Todo o que temos, Ele é quem tem dado; e não faz que nada nos falte do que realmente precisamos. Ele nos defende de todo perigo e nos guarda e protege de toda maldade. Todo isto Deus faz por causa de ser o Pai do Céu, por causa da sua misericórdia e bondade divina, sem que existe nenhum mérito ou bondade da nossa parte. Por esta razão, é nossa alegria e dever dar graças e louvar ao Senhor, servindo e obedecendo a Palavra de Deus.

Redenção - E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao céu, e está sentado à mão direita de Deus Pai Todo Poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Na segunda seção, se declara que as verdades relacionadas ao nosso Senhor, Jesus Cristo. Ele é nosso Salvador, porque nos tem redimido quando estávamos perdidos e condenados. Temos sido comprados e Ele venceu o pecado e a morte, sendo assim não somos mais prisioneiros do pecado, nem a morte, tampouco a maldade tem poder sobre nós. Isto foi possível pelo precioso sangue de Cristo. O Cordeiro de Deus, inocente e santo, que sofreu e morreu, para que pudéssemos ser de Deus e viver no Seu Reino para servir e amar a Senhor. Esperamos ansiosos sua vinda, depois da Sua ressurreição e ascensão para viver e reinar para toda a eternidade com o nosso Senhor, Jesus Cristo.

Santificação - Creio no Espírito Santo; na santa igreja católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna. Amém.

A última seção nos ensina que não podemos crer em Jesus Cristo, somente através da a própria razão ou força. Não temos como ir até o Senhor, somente pelo Espírito Santo nos chamando pelo evangelho de Cristo, iluminando com Seu amor, e santificando e mantendo na verdadeira fé. Do contrário, estamos sem opções. A obra do Espírito Santo passa desapercebida, porque dá a sensação de que somos nós quando, na verdade, Ele nos chama, nos reúne, ilumina e santifica toda a Igreja Militante, permitindo que sejamos capazes de manter a única verdadeira fé ainda enfrentamos adversidade e grandes dificuldades. Em esta igreja cristã, diariamente nos perdoa de todos nossos pecados. No último dia, o Espírito Santo ressuscitará todos os corpos mortais e, aos cristãos, será dado a vida eterna.

Esta é a nossa fé. Nisto eu creio.

O CREDO NICENO

Recebe o nome de Credo Niceno, porque se pensou por muito tempo que foi neste Concílio Geral de Nicéa (325 d.C.) que o Credo tinha sido escrito para responder a controvérsia Ariana. O texto aprovado no Concílio de Nicéa somente é semelhante, porém esquece parte importante, como o artigo sobre o Espírito Santo. Possivelmente, o texto atual do Credo seria composto durante o Concílio de Constantinopla (381 d.C.). Com certeza, lemos no Concílio de Éfeso (431 d.C.) que nenhuma mudança devia ser feita no Credo Niceno. O Concílio de Calcedônia (451 d.C.) seria o primeiro em mencionar o Credo de Nicéa com total claridade. Na forma atual, aparece ter sido usado por Cirilo em Jerusalém e, também, é mencionado por Epifânio de Salames ao redor do 373 d.C..

O Credo afirma a unidade de Deus, enfatiza que Cristo é o unigênito do Pai antes de todo os tempos, e declara que Cristo é da mesma essência (homoousios) como o Pai. Tendo uma pequena menção sobre o Espírito Santo.

No LOC, o Credo Niceno é usado na ordem para a Ceia do Senhor, também chamada Santa Comunhão, também nas ordenações de diácono, presbítero e bispo.

O CREDO DE ATANÁSIO

Este Credo também é conhecido como Quicunque Vult. Ele recebe o nome do famoso bispo de Alexandria, Atanásio (296-373), que defendeu a fé Cristã do Arianismo. Não há evidencia alguma que Atanásio escrevesse o Credo e, a partir da obra de G. J. Voss, no século 17, tem sido aceito que a evidência aponta em contra da sua autoridade. A primeira evidencia do Credo aparece em um sermão de Caeserius de Arles, sendo semelhante a um manuscrito de Vicente de Lerins. Isto indicaria que o Credo pudesse ter sido escrito no sul da França.

O Credo de Atanásio contém uma declaração detalhada e clara da Trindade. Também, afirma a plena Divindade e Humanidade de Cristo, Sua morte pelos pecados, ressurreição, ascensão, segunda vinda e juízo final.

Este Credo era usado como um cântico ou hino durante a liturgia primitiva. No LOC, o Credo de Atanásio é usado em 13 ocasiões designadas durante o ano.


Os três credos afirmam de forma clara e concisa a fé em Cristo, ensinando quem Jesus é, e a centralidade do evangelho. Os Credos são a forma mais concisa e clara que existe para ensinas as doutrinas essências afirmadas e cridas pelas Igreja de Cristo através dos séculos.



TEXTOS PARA MEDITAR

Deuteronômio 6.4; Atos 8.37; Romanos 1.3-4; 1 Coríntios 15.3-4, Filipenses 2.6-11; 1 Coríntios 8.6; Mateus 28.19.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Qual é a importância de conhecer os Credos?

- Quais ensinos aprendemos no Credo dos Apóstolos?

- Porque devem ser usado os Credos no culto cristão?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

BORTOLINI, José, Raízes Bíblicas Do Creio Niceno Constantinopolitano, Editora Paulinas, SP.

FERREIRA, Franklin, O Credo dos Apóstolos, Editora Fiel, SP.

MCGRATH, Alaster, Creio, Editora Vida Nova, SP.





Através do tempo, temos visto maior interesse no Antigo Testamento, enquanto em outras ocasiões existiu um estudo menor. Os Reformadores Ingleses, especialmente Cranmer, tinha uma grande preocupação para que o povo de Deus pudesse conhecer toda a Palavra de Deus. Ele se preocupou para que a Bíblia estivesse presente na nação inglesa.

Existe a tentação de ignorar o Antigo Testamento, como irrelevante na vida da Igreja. Inclusive, temos visto uma negação de todo o Antigo Testamento por posições teológicas diversas, como a Teologia da Nova Aliança. Por outro lado, encontramos aqueles que tem abraçado de uma forma ou outras práticas judaizantes, colocando uma ênfase desnecessário no Antigo Testamento. Diante destas duas posições, o artigo de fé apresenta uma posição centrada e atual:

ARTIGO VII - DO ANTIGO TESTAMENTO
O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto no Antigo como no Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único Mediador entre Deus e o homem, sendo Ele mesmo Deus e Homem. Portanto, não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos Pais só esperaram promessas transitórias.
Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devam ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.

O Artigo de hoje começa afirmando a unidade do Antigo e Velho Testamento. Não existe contradição entre eles, neles se apresenta toda a história redentora da humanidade e todo o conselho de Deus para o homem. A igreja do Novo Testamento fazia uso constante no Antigo Testamento, como as Escrituras Sagradas.

O próprio Jesus fez usou extensivo do Antigo Testamento, como a verdadeira e inspirada Palavra de Deus. Ele diz, "A Escritura não pode ser anulada" (João 10.35). Ele se refere a Escritura como "mandamentos de Deus" (Mateus 15.3) e como a "Palavra de Deus" (Marcos 7.13). Ele também indicou que era indestrutível, "Antes e que o céu e a terra passem, e modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da lei, até que tudo se cumpra" (Mateus 5.18). Jesus se referia constantemente ao Testamento quando ensinava aos seus discípulos ou respondiam aos argumentos apresentados diante dele (Veja Mateus 22.31; Mateus 21.16, cf Salmo 8.2; Mateus 12.3).

Além disso, o Antigo Testamento nos ensina respeito a vinda do nosso Senhor, Jesus Cristo, o Salvador e Mediador da humanidade. O Antigo Testamento ensina sobre Jesus e o evangelho de várias formas:

  1. PROFECIAS - Sem nenhuma dúvida, este é o ponto que maior atenção tem recebido entre os cristãos e apologética contemporânea. Jesus cumpriu as profecias sobre a vinda do Messias, como lemos no Novo Testamento. P.e., a profecia do nascimento virginal (Isaías 7.14) é vista em Mateus 1.18-25, também Lucas 1.26-35.

  1. IMAGENS - Deus revela diversos reflexos de Cristo no Antigo Testamento. Ao contrario das profecias, estas imagens não são revelações diretas sobre um aspecto da vida e ministério de Jesus, como o nascimento de Cristo, porém revelam um aspecto do plano de Deus para o Senhor. Muitas destas representações do Antigo Testamento são afirmadas no Novo Testamento, ainda que nem todas. Uma palavra de advertência se faz necessária, temos que ser cuidadosos quando consideramos uma imagem a qual não tem claro apoio no Novo Testamento. Um exemplo, Abraão foi testado com o sacrifício de Isaac (Gênesis 22) é uma imagem de Deus sacrificando o Seu Filho, Jesus.

  1. VERDADES ETERNAS - Existem passagens que não apontam diretamente a Jesus, em vez disso esclarecem a natureza central do evangelho e nossa necessidade da provisão de Deus através de Jesus. Nos mostra a condição desesperadora da humanidade, estando desamparados diante do pecado. Em outras ocasiões, será um vislumbre da santidade, pureza, graça, amor e amabilidade de Deus. Também, nos mostra a perfeita comunhão e relação entre Deus e seu povo. Todo isto nos ajuda a compreender e viver o evangelho de Jesus. P.e., a lei nos mostra nossa inabilidade de seguir os padrões perfeitos de Deus (Romanos 3.20).

  1. HISTÓRIA REDENTORA - A Bíblia é uma história, não qualquer uma, mas a história redentora da humanidade da criação a eternidade. Deus prometeu a Adão e Eva que alguém veria (O Messias, Jesus) que esmagaria a Satanás. A maioria do Antigo Testamento nos mostra esta narrativa e nos mostra o cumprimento no nascimento em Belém, a cruz do Calvário, e a tomba vazia no jardim. P.e., o estabelecimento do Reino de Israel aponta a vinda do Rei Jesus que vai reinar entre todas as nações.


A leitura regular e meditação do Antigo Testamento nos ajudará a compreender toda a história redentora de Deus para a humanidade, e crescer no conhecimento de Deus e na graça do nosso Senhor, Jesus Cristo.

Um ponto final temos que considerar pela sua importância. Será que a lei de Deus continua vigente nos dias de hoje?

No livro de Hebreus, se houvesse qualquer dúvida, como Cristo cumpriu a lei cerimonial do Antigo Testamento. Portanto, as práticas e costumes do povo de Israel respeito as cerimônias e ritos da lei de Deus, não são prescritas, nem obrigatórias, para a Santa Igreja de Cristo. A diferença do Antigo Testamento, onde Deus ensinou cada detalhe do culto agradável ao Senhor, o Novo Testamento ensina os princípios e orientações a partir do qual a Igreja organiza ao culto ao Senhor, sendo que tais não devem ser contrarias aos claros ensinos das Escrituras, nem devem ser obrigatórios como sendo necessárias a salvação qualquer coisa que não possa ser provada pela própria Bíblia.

Ainda que existem correntes e escolas teológicas que defendem a aplicação plena e completa dos preceitos civis da lei de Deus nas nações, não existe suficiente base bíblica para isso, nem apoio para defender e aceitar que todos e cada um dos princípios civis da lei de Deus deva ser aplicada a todas as nações e todos os contextos. Os princípios civis foram dados claramente para Israel e, ainda que, os governantes atuais decidam seguir seus ensinos dos dias de hoje, muitas dos aspectos seriam inconcebíveis nos dias de hoje. Se faz necessário um importante esclarecimento neste ponto, Israel não considerava a separação da lei de Deus em três aspectos, como foi elaborado na teologia cristã. Isto nos pode ajudar a compreender porque os preceitos civis da lei de Deus não deve ser recebida necessariamente nas nações. Uma vez dito isto, é recomendável compreender que os preceitos morais dos mandamentos de Deus vão ter uma influência nas nações que são discipuladas com os ensinos de Cristo, portanto se espera uma mudança nas leis e regulamentos, seguindo os ensinos e mandamentos de Jesus. A Santa Igreja de Cristo não deve fazer politica partidista neste sentido, porém deve ser uma voz profética diante da injustiça, iniquidade e opressão, sem esquecer do mandato apostólico do Senhor de discipular as nações através da pregação do evangelho e a instruição da Palavra de Deus.

O artigo de fé finaliza lembrando a necessidade de obedecer aos Mandamentos da lei de Deus, considerados como morais. A razão principal se encontra no fato de que cada mandamento é confirmado e afirmado no Novo Testamento, como sendo prescritivo para todos os cristãos, manifestando a catolicidade da ética moral dos Mandamentos da Lei de Deus, ainda nos dias de hoje. Eles continuam sendo o tutor que ensina ao homem a incapacidade de agradar a Deus e a necessidade que a humanidade tem de um Salvador que resgate eles do pecado e da morte para a vida eterna e a liberdade em Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Mateus 5.17-37; Atos 7:1-53; Romanos 9-11; Gálatas 3.15-25; Hebreus 11.



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Porque devemos ler e meditar regularmente no Antigo Testamento?

- O que o Antigos Testamento nos ensina sobre Jesus?

- Porque não estamos isentos dos preceitos morais da lei de Deus?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

COPE, Landa, Modelo Social do Antigo Testamento, Editora JCUM Brasil, SP.

DILLAR, Raymund, Introdução Ao Antigo Testamento, Editora Vida Nova, SP.

GOLDSWORTHY, Graeme, Trilogia, Editora Fiel, SP.




Um amigo chileno me diz uma vez que a Reforma Inglesa não começou com Lutero, mas começo dois séculos antes. Logo, ele comentou que a Reforma Inglesa deveria ser considerada a partir de Wycliffe e os Lollardos, porque as características da Reforma na Inglaterra tinham sido influenciadas pelas gerações posteriores de Lollardos que se uniriam aos teólogos e clero influenciados pelas ideias de Lutero no século 16.

John Wycliffe (1328-1384) defendeu a ideia que qualquer ideia ou pensamento que não pudesse provado pela Bíblia, então não deveria ser uma doutrina oficial da Igreja. Isto incluía doutrinas tais como transubstanciação, indulgencias, confissão privada, devoção aos santos, autoridade papal, entre outros. A convicção de Wycliffe era tal sobre a autoridade das Escrituras Sagradas que ele produz uma tradução ao inglês, permitindo ao povo ter acesso a Bíblia. Diante das acusações apresentadas contra ele, Wycliffe respondeu, "estou pronto para defender minhas convicções até a morte... tenho seguido as Escrituras Sagradas e os santos teólogos (pais da igreja)". A influência de Wycliffe não foi somente na Inglaterra, ele inspirou a Jan Huss, clero da Boémia, que começou um movimento seguindo o exemplo de Wycliffe na Inglaterra. Diante da iminente morte na fogueira, Hus disse as seguintes palavras: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar". Esta profecia se cumpriu com Lutero.

A Reforma Inglesa recebeu a influenciada de Wycliffe e Lutero, dois homens que deram suas vidas para disponibilizar as Escrituras Sagradas nas mãos do povo. Neste sentido, é que deve ser lido o Artigo de Fé de hoje. Gerald Bray escreve no livro, "O Artigos 6 não diz nada sobre a inspiração divina da Escritura ou como deve ser interpretada, mas o ponto de vista Anglicano nestas questões se encontra na homilia sobre Escritura, que Cranmer também escreveu" (The Faith We Confess, pg. 48).

Quando o leitor lê o Artigo 6, a luz da informação histórica apresentada, se compreende melhor o significado deste artigo de fé:

ARTIGO VI - DAS SAGRADAS ESCRITURAS
As Escrituras contêm todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escrituras Sagradas entendemos os Livros canônicos do Antigo e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja.
Os livros chamados comumente "Os Apócrifos," não formam parte das Escrituras Canónicas; e, portanto, não devem ser usados para estabelecer doutrina alguma; nem devem ser lidos publicamente na Igreja. Recebemos e contamos por canónicos todos os Livros do Novo Testamento, segundo comumente são recebidos.

Este artigo da fé faz uma importante diferença, as vezes ignorada hoje, entre as coisas necessárias para a salvação e aquelas que são beneficiais, mas não essenciais. Agostinho de Hipona escreveu em uma ocasião, "Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade". Este artigo foi escrito para mostrar que encontraremos nas Escrituras Sagradas todas as coisas que são necessárias para a salvação, são estas as coisas que os cristãos precisam obedecer e seguir para sua edificação e vida cristã.

A Bíblia contém perfeitamente a revelação escrita de Deus que não é outra que as boas novas do evangelho e o plano de Deus para a redenção da humanidade. As Escrituras ainda quando falam de muitas outras questões, não tem como alvo principal dar respostas detalhadas sobre todos os aspectos da ciência, história, literatura, entre outros. Seria esperar muito de uma coleção de livros, ainda que seja a verdadeira e única Palavra escrita de Deus para os homens. Isto não significa negar a verdade, inspiração ou inerrância das Escrituras, pelo contrário é reconhecer qual é o proposito principal da bíblia. Aqueles que só conseguem observar o mundo em branco e preto, quiçá tenham dificuldade com esta declaração, no entanto não deveriam.

Existe uma diferença importante entre as coisas que são próprias a sã doutrina e a verdadeira fé, e aquelas que a igreja tem autoridade de orientar e administrar, ainda quando as mesmas não são necessárias para a salvação. Inclusive, aquelas igrejas que afirmam somente seguir os ensinos diretos das Escrituras, na prática têm costumes e práticas que as Escrituras mantém o silêncio ou não mostram uma definição clara. Evidentemente, isto não significa que temos direito de ensinar qualquer coisa que seja contraria as Escrituras, tampouco adicionar coisa alguma que não esteja claramente na Palavra de Deus.

Uma vez dito isto, existe liberdade em obediência a Palavra de Deus para a Igreja decidir nas coisas que não são necessárias para a salvação, nem contrarias a Escritura, que sejam de beneficio para o povo de Deus e, de acordo, a prática da Igreja de Cristo através dos séculos e o princípio de catolicidade que nos ensina a compreender e interpretar a fé Cristã de acordo com todo aquilo que têm sido confessado por todos, em todos os tempos e em todos os lugares. Um exemplo evidente são os Credos Universais da Igreja Indivisa.

Os Reformadores Protestante, ao menos as primeiras gerações, não consideravam que houvesse um conflito entre a suficiência e supremacia das Sagradas Escrituras e os ensinos da igreja primitiva, como tinham chegado através dos escritos dos Pais da Igreja. Por esta razão, não é difícil ver constante referencias aos Pais da Igreja pelos Reformadores Protestantes, como Cranmer, Lutero, Bucer, Calvino, entre muitos outros.
A compreensão atual da Sola Scriptura tem sido mal compreendida nos últimos séculos. Isto não nos deveria surpreender quando observamos um forte espirito de divisão entre os evangélicos. Dois pontos têm causado este dilema:

1. O artigo de fé afirma o livre exame das Escrituras. Em outras palavras, o livre acesso a Bíblia para verificar aquilo que as mesmas ensinam. Isto tem sido confundido com livre interpretação, feita de forma independente da Igreja e, em muitas vezes, formação e capacidade para compreender o texto que está sendo interpretação no seu contexto imediato. Isto tem causado um sem fim de falsos ensinos, ou confusos no melhor dos casos.

2. Este artigo de fé expressa a Bíblia, como única regra de fé, rejeitando a ideia de que a tradição cristã tem a mesma autoridade que as Escrituras, como foi afirmado pela Igreja de Roma no Concilio de Trento quando se afirmou a revelação especial de Deus se encontrava tanto na Escritura Sagradas e na Santa Tradição. Esta posição é rejeitada por este artigo de fé. No entanto, existe a tentação de ignorar por completo a tradição cristã da igreja primitiva, dando pé as mais incompreensíveis interpretações e o ressurgimento de velhas heresias com novos roupagem. A tradição cristã sempre estará sujeitada a suprema e última autoridade das Escrituras, mas ela nos ajuda a interpretar corretamente a Bíblia a luz dos ensinos ortodoxos e a sã doutrina a qual a Santa Igreja de Cristo tem sempre ensinado, defendido e proclamada de geração a geração.

Este artigo de fé, igual que as outras confissões de fé das igrejas protestantes, afirma os livros que compõem o Cânon das Escrituras. A definir o Cânon naqueles livros que nunca existiram dúvida, este artigo da fé adere ao Cânon Judaico do Antigo Testamento e ao Cânon do Novo Testamento, conforme aprovador no Concilio de Hipona (393 d.C.) e confirmado no Concílio de Cartago (397 d.C.).

Uma curiosidade interessante é o fato de que os 39 Artigos da religião da "Free Church of England" e aos 39 Artigos da Religião da Igreja da Inglaterra diferem respeito aos livros conhecidos como deutero-canônicos da seguinte maneira:

FCE - define estes livros como apócrifos, e declara que não formam parte das Escrituras Canónicas; e, portanto, não devem ser usados para estabelecer doutrina alguma; nem devem ser lidos publicamente na Igreja.

Igreja da Inglaterra - lista todos os livros que formam parte do Cânon das Escrituras Sagradas, tanto do Antigo e Novo Testamento. Fala dos livros apócrifos como deutero-canônicos; e declara os outros Livros (como diz Jerônimo) a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes; mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma.


TEXTOS PARA MEDITAR

Salmos 119:105; Provérbios 30:5; 2 Timóteo 3.16-17; 2 Timóteo 4.2; Hebreus 4:12;



PERGUNTAS PARA REFLETIR

- O que significa que a Bíblia contém todas as coisas necessárias para a salvação?

- Qual é o papel da tradição cristã?

- Qual são as diferenças entre os Artigos da Religião da FCE e a Igreja da Inglaterra?



LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

GOLDSWORTHY, Graeme, Trilogia, Editora Vida Nova, SP.

GOLDSWORTHY, Graeme, Pregando Toda a Bíblia Como Escritura Cristã, Editora Fiel, SP.

STOTT, John, A Bíblia toda, O Ano todo, Editora Ultimato, SP.




Falar do Espírito Santo, é falar da pessoa da Trindade que menos atenção recebeu por muitos séculos. Mas isto mudou no século 20 com o surgimento do movimento Pentecostal e, posteriormente, o movimento carismático entre as igrejas tradicionais e a chamada "terceira olá". No Brasil, existe um elemento próprio que tem sido as igrejas neopentecostais. Igrejas surgidas no Brasil com uma idiossincrasia própria. Nas últimas décadas, tem também surgido o movimento da Nova Reforma Apostólica. Todos estes movimentos têm levado a escrever e estudar com maior profundidade a pessoa e obra do Espírito Santo.

O Artigo da Fé diz simplesmente aquilo que já é conhecido pelos próprios Credos Universais da Santa Igreja de Cristo,

ARTIGO V - DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória que o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.

Uma das principais controvérsias sobre o Espírito Santo nos primeiros séculos da Igreja, é sobre o que diz no Credo, "procedente do Pai e do Filho". As igrejas ortodoxas e as igrejas orientais têm rejeitado a clausura de filioque (significado, "e do Filho"), como sendo contrário pela catolicidade da Igreja, porque fui adicionado sem a permissão de um Concílio Geral da Igreja de Cristo. Portanto, consideram ser uma mudança da doutrina sobre o Espírito Santo, como foi aprovado pelo primeiro Concílio de Constantinopla, já que o texto grego do Credo Niceno não contém esta clausura. A partir do Terceiro Concílio de Toledo (589 d.C.), foi adicionado filioque no Credo, ainda que tal doutrina já estava presente na Igreja Ocidental.

As Escrituras mostram com claridade que o Espírito Santo procede do Pai (Mateus 10.20), todavia é claro que também do Filho (Gálatas 4.6, veja também João 15.26 e Atos 2.33).

O Artigo de Fé do Espírito Santo tem a preocupação de definir com a maior clareza possível que o Espírito Santo é uma das pessoas da Trindade. Ele merece toda a honra, a glória e majestade que as outras duas pessoas da Trindade. O artigo de fé termina afirmando a verdade que Ele é verdadeiro e eterno Deus.

Esta verdade é afirmada claramente pela tradição da Igreja de Cristo e os escritos das Escrituras Sagradas. O Espírito Santo esteve presente na Criação e agiu na formação do universo (Gênesis 1.2; Salmo 33.6). Ele foi o responsável de mover e guiar os profetas de Deus com as palavras de Deus (2 Pedro 1.21). Ao mesmo tempo, faz que sejamos redimidos e, assim, nascemos novo (João 3.5). Uma vez temos sido feitos filhos de Deus, nos santifica com Sua presença (1 Coríntios 6.19) e nos dá o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23). O apóstolo Paulo nos ensina que o próprio Espírito de Jesus habita em nós que nos faz vencer a carne, confirma nossa identidade em Cristo e nos ajuda a viver vidas para a glória de Deus. "Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo" (Romanos 8:9).

Um dos maiores mistérios da fé é que o Espírito Santo vive em nós, "Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?" (1 Coríntios 6:19). O próprio Deus, Criador do Céu e da Terra, tem decidido habitar no Seu povo escolhido e fazer dele uma nação santa.

A realidade da fé é que aqueles que confessam a Jesus, como Senhor e Salvador, e colocam sua confiança nele recebem o Espírito Santo. Ele vive e habita em nós, e obra através de nós. Isto permita que possamos ser transformados para seguir a Jesus, como os Seus discípulos e obedecer Sua vontade com alegria de coração. Não devemos esquecer que o Espírito Santo nos capacita para toda boa obra (2 Timóteo 3.14-4.2).

O Espírito Santo foi também enviado para nos ajudar, consolar e dar testemunho de toda verdade. "Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito" (João 15:26). Jesus enviou da parte do Pai o Espírito Santo para que não nós sentimos abandonados, mas esteemos sempre acompanhados. Deus cuida de nós, em meio de todas as lutas e conflitos que enfrentamos no dia a dia. Ele nos mostra o Pai e nos ensina o caminho do Senhor, Jesus Cristo.

Em Atos1.8, na ascensão de Cristo, ele ensinou os seus discípulos, "Recebereis o poder do Espírito Santo, que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas". No dia de Pentecostes, lemos sobre a descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Cristo diante de uma multidão que acabou confessando Jesus como Senhor (Atos 2.1-4; veja também Atos 8.14-16; Atos 10.44-48; Atos 19.1-7). Os discípulos receberam dons do Espírito Santo.

Os dons do Espírito Santo são dados para abençoar e edificar outras pessoas, e são dados de acordo com a vontade do Espírito Santo. Em 1 Coríntios 12:8-10, 1 Coríntios 12:28-30, Romanos 12:6-8 e Efésios 4:11-13, encontramos vários dons espirituais do Espírito:

PALAVRA DE SABEDORIA - a verdadeira sabedoria vem de Deus; o dom da sabedoria é uma sabedoria espiritual que vai além da experiência e do bom senso; 
PALAVRA DE CONHECIMENTO - o Espírito Santo ajuda a compreender e explicar assuntos espirituais; 
FÉ - todos que aceitaram Jesus como seu salvador têm esse dom, mas algumas pessoas têm uma fé para acreditar no impossível; 
CURA - Deus dá o poder para curar doentes milagrosamente; 
MILAGRES - o Espírito Santo capacita a fazer sinais e maravilhas; 
PROFECIA - profetizar é transmitir uma mensagem por inspiração de Deus; 
DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS - discernir espíritos é entender se uma mensagem vem de Deus ou não; o discernimento é muito importante para impedir a igreja de cair no engano; 
VARIEDADE DE LÍNGUAS - falar em línguas que você não conhece; 
INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS - entender e transmitir a mensagem de alguém que está falando em línguas, pela revelação do Espírito Santo; 
SERVIR, OU PRESTAR AJUDA - ajudar a igreja e outras pessoas quando precisam; quem tem o dom de servir é sensível para as necessidades dos outros e sabe quando ajudar; 
ENSINAR - a capacidade para explicar bem a Palavra de Deus, ajudando as pessoas a crescer espiritualmente; 
DAR ÂNIMO - encorajar outras pessoas na hora certa com as palavras certas, pela inspiração do Espírito Santo; 
CONTRIBUIR - Deus dá a algumas pessoas muitos recursos e generosidade para poderem contribuir para a comunidade e a igreja; 
LIDERANÇA - pela graça do Espírito Santo, os pastores, mestres e outros líderes têm a sabedoria e autoridade para guiar outros crentes e ajudá-los a crescer; 
MISERICÓRDIA - ter compaixão de outras pessoas, compreendendo sua dor;

ADMINISTRAÇÃO - o poder para organizar diversos grupos e atividades da igreja de forma eficiente, mantendo a ordem, a disciplina e o bom testemunho, e 
EVANGELIZAR - a capacidade para transmitir a mensagem da salvação e trazer pessoas para Deus.

Os dons do Espírito não devem ser compreendidos como um privilégio dos crentes mais espirituais ou um sinal de ser melhores cristãos. Todos os cristãos os recebem no Batismo. Eles são indispensáveis para crescer na graça e no serviço ao Senhor no dia a dia, e não apenas para as grandes obras.

O cristão pode ser usado quando acredita que é a vontade de Deus usá-lo para Sua glória, honra e louvor. Assim, poderá ver cada vez mais a ação do Espírito Santo em sua vida mediante os dons. As pessoas devem se dedicar a procurar e crescer nas virtudes cristãs (fé, esperança e amor), principalmente amor, e se feitos cada dia mais a imagem e semelhança de Jesus, seguindo a guia do Espírito Santo.

Diante de tal mostra de amor de Deus, não tem nada que possamos fazer, a não ser confiar inteiramente no Deus que nos chamou; pois, o Senhor é fiel e vai continuar a boa obra que começou (cf. Filipenses 1.6). Não estamos desamparados. Não contamos somente com nosso ânimo, nossa determinação, nossa boa vontade. O Espírito Santo que nos chamou e nos seduziu para seguir Cristo, não nos abandona, mas sempre está conosco. Se há uma segurança na qual podemos nos agarrar é que não estamos sós. O Espírito de Deus habita em nós; ele nos fortalece e capacita para a missão.

TEXTOS PARA MEDITAR

João 15.26; Atos 2.1-4, 33; 1 Coríntios 12:8-10, 1 Coríntios 12:28-30, Romanos 12:6-8; Efésios 4:11-13; Gálatas 4.6.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Quem é o Espírito Santo?

- Qual é a obra do Espírito Santo na vida da Igreja e das pessoas?

- Qual foi uma das primeiras controvérsias referente ao Espírito Santo?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

STORMS, Sam, Dons espirituais, Editora Vida Nova, SP.

STOTT, John, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, Editora Vida Nova, SP.

PACKER, J.I., Na dinâmica do Espírito, Editora Vida Nova, SP.




Sempre gostei de aventuras. Quiçá seja porque os primeiros filmes que lembro de ter visto no cinema foram o filme de Conan e outro de Indiana Jones. Ou, quem sabe, se foi devido ao espirito aventureiro de ter nascido e crescido em uma pequena cidade onde saíamos na rua e nas fazendas para viver aventuras inimagináveis. Um dos filmes que gostei nos últimos anos, tem sido os IMORTAIS. A ideia de imortalidade sempre tem estado presente na mente do homem. Dá a sensação de que existe um desejo de viver a eternidade.

O Artigo da Fé de hoje nós ensina sobre a ressurreição de Cristo, vencendo o poder da morte e abrindo a porta para a eternidade e a imortalidade do homem redimido em Cristo Jesus. Não é somente uma bela história, na verdade é a única histórica. Nos temos sido criados para viver com os olhos posto na eternidade, vivendo na imortalidade. Por isso, Jesus é o primeiro entre muitos irmãos. E, atualmente, está assentado a direita do Pai até que volte a julgar os vivos e os mortos. Assim nos ensina os 39 Artigos.

ARTIGO IV - DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO
Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e tomou de novo o Seu corpo, com carne, ossos e tudo o mais pertencente à perfeição da natureza humana; com o que subiu ao Céu, e lá está assentado, até que volte a julgar todos os homens, no último dia.

A ressurreição de Cristo é o fundamento da coroa da nossa fé, como cristãos. Nenhum outro evento, tem tal importância para a Santa Igreja de Cristo, como tem a ressurreição. No dia de Pentecostes, o apóstolo Pedro enfatizou esta verdade, como sendo a primeira, maior e mais importante verdade do evangelho. Tomemos um momento para entender que, do mesmo modo que a redenção é realizada na Cruz de Cristo, a vida eterna nos é dada pela ressurreição de Cristo.

Cristo ressurreto é a proclamação da vitória de Jesus sobre o inferno e o poder da morte, também é a celebração presente dos santos (os cristãos) no céu e a realidade da Igreja Triunfante e Celestial, sendo vivida pela Igreja Militante de Cristo na Terra através da vida no Espírito Santo.

A ressurreição nos leva de volta ao encontro do Criador, após a perda do Éden e a queda do homem. Isto nos ajuda a não temer mais a morte, porque esta foi vencida em Cristo. Contudo o estado da alma do homem, até a chegada do Filho de Deus e a Sua ressurreição desde a morte, era de rejeição e separação, estando longe de Deus, sem esperança, nas trevas (Gênesis 37.35, do hebraico Sheol). No inferno, foram também presas as almas dos justos do Antigo Testamento. Em Hebreus 11, o apóstolo Paulo explica, como os justos viveram com fé e, depois da morte, esperam na expectativa da sua redenção e libertação. "E todos eles, embora recebendo bom testemunho da fé, não obtiveram a promessa; visto que Deus havia providenciado algo melhor a nosso respeito, para que, sem nós, eles não fossem aperfeiçoados" (Hebreus 11.39-40). Nossa vitória, redenção e liberdade também foi a deles.

Cristo, depois de Sua morte na Cruz, desceu ao inferno e venceu a morte. "Porque também Cristo morreu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; morto na carne, mas vivificado pelo Espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos na prisão, os quais, noutro tempo, foram rebeldes, ... pois é por isso que o evangelho foi pregado também aos mortos, para que, embora julgados segundo os homens quando na carne, vivam segundo Deus pelo Espírito" (1 Pedro 3.18-20a, 4.6). O apóstolo Paulo também escreve sobre esta questão, citando o salmista, "Subindo para o alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. O que significa "ele subiu", senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que também subiu muito acima de todos os céus, para preencher todas as coisas" (Efésios 4.8-10).

"O Inferno foi levado em cativeiro pelo Senhor que desceu sobre ele. Foi destruído, foi zombado, foi morto, foi derrubado, estava preso" (Bispo João Crisóstomo)

O poder da morte foi destruído, sendo possível para o homem ser liberto do inferno. A morte dos justos é simplesmente a transição do mundo abaixo para o mundo acima, a vida eterna, e a entrada no Reino de Deus. A morte já não deve ser temida, porque a ressurreição de Cristo mostrou o destino e eternidade para nós. "Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele o primeiro entre os que faleceram" (I Coríntios 15:20). A Ressurreição de Cristo é a garantia da nossa ressurreição, "Pois, assim como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados. Cada um, porém, na sua vez: Cristo primeiro, e depois os que lhe pertencem na sua vinda" (1 Coríntios 15.22-23). Depois disso, a morte será totalmente destruída. "Porque é necessário que ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo de seus pés. E o último inimigo a ser destruído é a morte." (1 Corinthians 15.25-26).

A promessa de Cristo é eterna. Existe tanto conforto nas palavras de Jesus aos seus discípulos, "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vos teria dito; pois vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14.2-3). A preocupação de Jesus era tal pelos seus discípulos que orou ao Pai, "Pai, meu desejo é que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver, para que vejam a minha glória, a qual me deste, pois me amaste antes da fundação do mundo" (João 17.24). Paulo desejava partir e estar com Cristo (Filipenses 1:23), sabendo que tem "uma casa eterna no céu, não feita por mãos humanas" (2 Coríntios 5.1).

O céu é uma realidade, agora invisível, que será visível para todos. João, o apóstolo, escreve a visão do Trono de Deus no céu onde tinha vinte e quatro anciões vestidos com roupas brancas e coroas de ouro nas cabeças sentados sobre vinte e quatro assentos (Apocalipse 4. 4). Ele viu sob "altar as almas dos que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram" (Apocalipse 6.9); e, no entanto, ele viu Também "uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e na presença do Cordeiro, todos vestidos com túnicas brancas e segurando palmas nas mãos; e clamavam em alta voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro" (Apocalipse 7.9-10).

O Reino de Cristo foi aberto. A promessa da vida eterna nos alcançou na ressurreição de Cristo que venceu a morte, satanás e o pecado. No Céu, são bem-vindos todas as almas dos eleitos de Deus. entraram os primeiros que creram em Cristo, os Apóstolos, os primeiros mártires, os crentes de todos os séculos; e assim, até o fim do mundo, a Nova Jerusalém, a cidade de Deus, será preenchido até que chegue a sua plenitude perfeita. E, isto, foi possível, porque Jesus verdadeiramente ressuscitou dos mortos, não somente espiritualmente, mas também corporalmente.

Tenhamos coragem e plena confiança no Senhor, porque Ele foi preparar nossa moradia, intercede por nós diante do Pai, e mostrou o caminho a Eternidade. Ele reina, Jesus é o Reis de Reis e Senhor e Senhores. Nossa fé, esperança e amor está segura sendo depositada em Cristo. Esta é a certeza da nossa fé, ressuscitaremos um dia, como Cristo ressuscitou da morte.


TEXTOS PARA MEDITAR

Mateus 28.1-17; Lucas 24; João 14; João 20-21; 1 Coríntios 15.12-28; Efésios 4.8-10; Apocalipse 7.9-10.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Qual é o maior significado da ressurreição de Cristo?

- Qual é a relação entre a descida de Cristo ao inferno e a Ressurreição do Senhor?

- Qual é o significado da ascensão de Cristo?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

STOTT, John, Cristianismo Básico, Editora Ultimato, SP.

STROBEL, Lee, Em defesa de Cristo, Editora Vida, SP.

WRIGHT, N.T., A Ressurreição do Filho de Deus, Editora Acadêmica, SP.


O Artigo de hoje é um dos mais controvertidos, pela idéia que causa o termo INFERNO. O leitor poderá se perguntar: como assim Jesus desceu aos infernos? E, contudo, tanto os 39 Artigos, como os Credos universais da Igreja Indivisa, declaram a certeza desta doutrina da seguinte forma:
ARTIGO III - DA DESCIDA DE CRISTO AO INFERNO 
Assim como Cristo morreu por nós, foi sepultado; assim também deve ser crido que desceu ao inferno.
Este texto é a sua forma alterada da versão original dos 42 Artigos escrita pelo Arcebispo Cranmer. Na versão de Cranmer, se podia ler uma frase a mais onde se declarava que o corpo de Cristo tinha estado três dias na sepultura, mas Seu Espírito tinha ido a pregar aos espíritos na prisão ou inferno, de acordo com a compreensão do Arcebispo Cranmer sobre o texto de 1 Pedro 3.18-19. Gerald Bray, no seu livro "The Faith We Confess", afirma que as razões não são claras da mudança deste Artigo da Fé, no entanto poderia ser por causa da influência de Calvino e sua obra Institutas sobre os teólogos e bispos anglicanos da época. Esta questão continua sendo debatida até os dias de hoje.

Sem dúvida alguma, a questão de Cristo descer ao inferno tem sido motivo de constante controvérsia teológica através dos séculos. Contudo uma questão permanece, qual é a importância da descida de Cristo ao inferno? Tem alguma relevância?

A primeira resposta é fundamental para a fé. Jesus morreu realmente na Cruz, e foi sepultado. Não somente aparentemente, como alguns ensinavam, mas verdadeiramente e corporalmente. Se Jesus foi sepultado, então teve a mesma sorte que o resto das pessoas mortas. Sua humanidade tinha que ser vivida e experimentada plenamente. Do contrário, não poderíamos dizer que Ele viveu plenamente e totalmente como um ser humano.

Lee Strobel, no seu livro "Em defesa de Cristo", nos ajuda a perceber a importância da morte de Cristo na Cruz, o resultado natural dessa morte e o fato de que caiu toda a culpa do pecado sobre Ele, não é outro que a ida de Jesus ao inferno. A descida de Cristo ao inferno é parte essencial do evangelho, tanto e quanto a morte da Cruz e a Ressurreição de Cristo no terceiro dia. Se ele não desceu ao inferno, como se poderia dizer que pagou toda a culpa pelo pecado da humanidade? Gerald Bray apresenta este caso de forma esclarecedora no seu livro já mencionado.

Fico entristecido quando vejo alguns pastores retirando a frase que faz menção desta doutrina do Credo Apostólico, porque não chegam a compreender a importância da mesma pela fé e o evangelho.

A grande vitória de Cristo se encontra em que Ele foi ao império do inimigo e venceu a morte, dando a plena esperança de que a morte não nos vai aprisionar, porque Jesus conquistou plenamente a vitória e liberou aqueles que estavam em cativeiro (Efésios 4.8). Somos livres, plenamente livres. Satanás não tem mais poder sobre a vida dos crentes, porque temos sido adotados como Filhos do Deus vivo e temos sido redimidos em Cristo. Esta é a razão de esperar com grande antecipação a Páscoa, como o pináculo da fé cristã.

Um aspecto importante, neste Artigo de Fé, é a realidade do inferno. Muitos são os cristãos que tem negado o inferno nos dias atuais. Outros têm ensinado aniquilacionismo. Porém nenhuma destas posições encontra base nas Escrituras. Existe a necessidade de tentar explicar o conflito que muitos sentem sobre um Deus bondoso e misericordioso e todo o conceito do inferno eterno. O coração humano sente temor a considerar o inferno, como uma opção real. Por esta razão, preferimos negar as evidências diante da terrível realidade da punição eterna.

Outra idéia que é denunciada em outro dos Artigos da Religião, é a idéia da existência de um lugar intermediário, popularmente conhecido como purgatório. Não existe evidência bíblicas para ensinar e acreditar neste lugar. Esta posição tem sido popular em alguns círculos teológicos e, inclusive, tem sido defendida como uma posição teológica a ser afirmada por certa denominação, contudo as evidências não apoiam a ideia de esse lugar intermediário ou de descanso adormecido até a segunda vinda de Cristo.

A realidade do inferno, por muita assustadora, não deve ser motivo de aceitar o evangelho. Não deve ser o medo que nos leve a Cristo, mas a esperança da Eternidade. O inferno é real. É um lugar de tormento eterno. Não traz alegria escrever isto, porém é a única conclusão lógica a partir da leitura das Escrituras.

O Artigo de Fé de hoje nos leva a ser agradecidos, porque Jesus pagou plenamente a culpa dos meus pecados, e não somente os meus, mas os pecados do mundo, incluindo o pecado original de Adão e Eva que corrompeu toda a humanidade. Foi seu sacrifício que me libertou de ter que pagar a culpa pelos meus próprios pecados. Jesus fez muito mais, também permitiu que pudesse me reconciliar com o Pai e fosse adotado como Filho de Deus, me resgatando da morte, do pecado e do reino da escuridão. Esse é o amor eterno e bondoso de Deus pela humanidade. Só precisamos confessar Cristo, acreditar na Sua obra maravilhosa e nos arrepender dos nossos pecados e velhos caminhos, abraçando o caminho de discípulos de Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Efésios 4.8-10; 1 Pedro 3.18; Lucas 16.19-31.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Qual diria que é a razão por ter sido escrito este Artigo?

- Porque é importante afirmar-nos este Artigo?

- Como você reage quando ouve falar sobre o inferno?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

MCGRATH, Alastair, Creio, Editora Vida Nova, SP.

STOTT, John, A Cruz de Cristo, Editora Vida, SP.

WRIGHT, N.T., Surpreendido pela Esperança, Editora Ultimato, 2009, SP.