O Artigo de hoje é um dos mais controvertidos, pela idéia que causa o termo INFERNO. O leitor poderá se perguntar: como assim Jesus desceu aos infernos? E, contudo, tanto os 39 Artigos, como os Credos universais da Igreja Indivisa, declaram a certeza desta doutrina da seguinte forma:
ARTIGO III - DA DESCIDA DE CRISTO AO INFERNO 
Assim como Cristo morreu por nós, foi sepultado; assim também deve ser crido que desceu ao inferno.
Este texto é a sua forma alterada da versão original dos 42 Artigos escrita pelo Arcebispo Cranmer. Na versão de Cranmer, se podia ler uma frase a mais onde se declarava que o corpo de Cristo tinha estado três dias na sepultura, mas Seu Espírito tinha ido a pregar aos espíritos na prisão ou inferno, de acordo com a compreensão do Arcebispo Cranmer sobre o texto de 1 Pedro 3.18-19. Gerald Bray, no seu livro "The Faith We Confess", afirma que as razões não são claras da mudança deste Artigo da Fé, no entanto poderia ser por causa da influência de Calvino e sua obra Institutas sobre os teólogos e bispos anglicanos da época. Esta questão continua sendo debatida até os dias de hoje.

Sem dúvida alguma, a questão de Cristo descer ao inferno tem sido motivo de constante controvérsia teológica através dos séculos. Contudo uma questão permanece, qual é a importância da descida de Cristo ao inferno? Tem alguma relevância?

A primeira resposta é fundamental para a fé. Jesus morreu realmente na Cruz, e foi sepultado. Não somente aparentemente, como alguns ensinavam, mas verdadeiramente e corporalmente. Se Jesus foi sepultado, então teve a mesma sorte que o resto das pessoas mortas. Sua humanidade tinha que ser vivida e experimentada plenamente. Do contrário, não poderíamos dizer que Ele viveu plenamente e totalmente como um ser humano.

Lee Strobel, no seu livro "Em defesa de Cristo", nos ajuda a perceber a importância da morte de Cristo na Cruz, o resultado natural dessa morte e o fato de que caiu toda a culpa do pecado sobre Ele, não é outro que a ida de Jesus ao inferno. A descida de Cristo ao inferno é parte essencial do evangelho, tanto e quanto a morte da Cruz e a Ressurreição de Cristo no terceiro dia. Se ele não desceu ao inferno, como se poderia dizer que pagou toda a culpa pelo pecado da humanidade? Gerald Bray apresenta este caso de forma esclarecedora no seu livro já mencionado.

Fico entristecido quando vejo alguns pastores retirando a frase que faz menção desta doutrina do Credo Apostólico, porque não chegam a compreender a importância da mesma pela fé e o evangelho.

A grande vitória de Cristo se encontra em que Ele foi ao império do inimigo e venceu a morte, dando a plena esperança de que a morte não nos vai aprisionar, porque Jesus conquistou plenamente a vitória e liberou aqueles que estavam em cativeiro (Efésios 4.8). Somos livres, plenamente livres. Satanás não tem mais poder sobre a vida dos crentes, porque temos sido adotados como Filhos do Deus vivo e temos sido redimidos em Cristo. Esta é a razão de esperar com grande antecipação a Páscoa, como o pináculo da fé cristã.

Um aspecto importante, neste Artigo de Fé, é a realidade do inferno. Muitos são os cristãos que tem negado o inferno nos dias atuais. Outros têm ensinado aniquilacionismo. Porém nenhuma destas posições encontra base nas Escrituras. Existe a necessidade de tentar explicar o conflito que muitos sentem sobre um Deus bondoso e misericordioso e todo o conceito do inferno eterno. O coração humano sente temor a considerar o inferno, como uma opção real. Por esta razão, preferimos negar as evidências diante da terrível realidade da punição eterna.

Outra idéia que é denunciada em outro dos Artigos da Religião, é a idéia da existência de um lugar intermediário, popularmente conhecido como purgatório. Não existe evidência bíblicas para ensinar e acreditar neste lugar. Esta posição tem sido popular em alguns círculos teológicos e, inclusive, tem sido defendida como uma posição teológica a ser afirmada por certa denominação, contudo as evidências não apoiam a ideia de esse lugar intermediário ou de descanso adormecido até a segunda vinda de Cristo.

A realidade do inferno, por muita assustadora, não deve ser motivo de aceitar o evangelho. Não deve ser o medo que nos leve a Cristo, mas a esperança da Eternidade. O inferno é real. É um lugar de tormento eterno. Não traz alegria escrever isto, porém é a única conclusão lógica a partir da leitura das Escrituras.

O Artigo de Fé de hoje nos leva a ser agradecidos, porque Jesus pagou plenamente a culpa dos meus pecados, e não somente os meus, mas os pecados do mundo, incluindo o pecado original de Adão e Eva que corrompeu toda a humanidade. Foi seu sacrifício que me libertou de ter que pagar a culpa pelos meus próprios pecados. Jesus fez muito mais, também permitiu que pudesse me reconciliar com o Pai e fosse adotado como Filho de Deus, me resgatando da morte, do pecado e do reino da escuridão. Esse é o amor eterno e bondoso de Deus pela humanidade. Só precisamos confessar Cristo, acreditar na Sua obra maravilhosa e nos arrepender dos nossos pecados e velhos caminhos, abraçando o caminho de discípulos de Cristo.


TEXTOS PARA MEDITAR

Efésios 4.8-10; 1 Pedro 3.18; Lucas 16.19-31.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Qual diria que é a razão por ter sido escrito este Artigo?

- Porque é importante afirmar-nos este Artigo?

- Como você reage quando ouve falar sobre o inferno?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

MCGRATH, Alastair, Creio, Editora Vida Nova, SP.

STOTT, John, A Cruz de Cristo, Editora Vida, SP.

WRIGHT, N.T., Surpreendido pela Esperança, Editora Ultimato, 2009, SP.




Ontem estive vendo o novo filme de DC Comics, A Liga da Justiça, se vocês têm visto, uma das características interessantes são os personagens que representam semideuses, como a Mulher Maravilha e o Aquaman. A idéia de semideuses tem sido cada dia mais popular na cultura atual.

No Artigo de hoje, estaremos aprendendo sobre Jesus, que é a Palavra encarnada de Deus, Emanuel, Deus conosco. Isto pode levar ao leitor a ter uma visão equivocada de quem realmente Jesus é. Eu não ficaria surpreso que algumas pessoas acabassem tendo uma imagem de Jesus sendo semideus, ainda que isto esteja longe de ser a verdade. Esta é a razão pela qual o Artigo II tenta apresentar de forma simples e clara quem Jesus é para que o leitor tenha uma idéia clara.

ARTIGO II - DO VERBO OU FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM
O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado da eternidade do Pai, verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita virgem e da Sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas Naturezas, isto é, Divina e Humana, se uniram em uma Pessoa, para nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; que verdadeiramente padeceu foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar Seu Pai conosco, e ser vítima, não só pela culpa original, mas também pelos atuais pecados dos homens.

Este Artigo tenta responder à pergunta, "Quem é Jesus?" E, ao mesmo tempo, esclarecer, "por que Jesus se fez homem?" A segunda forma parte na realidade da primeira.

O Artigo faz uso do termo gerado, podendo dar a entender que teve um tempo que Jesus não era, ou não existia, porém não deve ser compreendido nesse sentido quando se fala que Jesus foi gerado. A terminologia é usada para ajudar a entender a relação entre as pessoas da Divindade, Pai e Filho. Jesus sempre foi, não teve um momento em que não era, porque Ele sempre foi Deus e parte da Divindade. Isto é esclarecido com maior ênfase quando o artigo afirma que é verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai. Jesus é Deus, uma das pessoas da Divindade da Trindade, e sempre foi desde a eternidade a eternidade.

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito existiria." (João 1.1-3)

Jesus se fez homem. O evangelista Mateus diz que Emanuel, Deus conosco, habitou entre nós. Portanto, os Credos falam de que Jesus é Deus e também é Homem. Este possivelmente seja um mistério da fé tão difícil de compreender como a própria Trindade. Ele não deixou de ser Deus quando se encarnou e se fez homem, tampouco sua humanidade foi destruída pela sua divindade. Ele era perfeito e plenamente Deus e Homem.

A encarnação foi um dos atos mais bondosos e amorosos de Deus. O Senhor mostrou seu amor pela humanidade vindo à terra e resgatando a humanidade dos seus próprios caminhos perversos, vencendo satanás e nos libertando do castigo do pecado e da morte. Isto se fez possível, porque o poder do Espírito Santo veio sobre Maria. Ele foi plenamente homem e plenamente Deus desde a concepção. Por isso, afirmamos que Maria é Theotokos, Portadora de Deus. Porque Jesus era Deus e Homem quando estava no ventre de Maria. As duas naturezas não podem ser divididas, nem separadas. Ele sempre foi a Palavra desde o inicio, que estava com o Pai e o Espírito, inclusive antes de que existisse a noção de tempo, espaço ou realidade. O mistério real se encontra em que, quando Jesus se encarnou, se converteu em uma nova criação, o primeiro nascido de uma multidão. O Filho Eterno e Imortal se fez humano, ainda que preexistia a sua própria concepção, para que nós pudéssemos ser resgatados e reconciliados com o Pai.

Jesus abandonou a comunidade da Divindade e a presença do Pai para se fazer homem, e cumprir o perfeito e bom propósito de Deus para o Seu povo eleito e a criação. Em Cristo, somos resgatados e feitos nova criação pela nossa união com Ele. Por isso, Jesus se fez homem, nos mostrou como viver uma vida agradável a Deus em plena obediência. Sua vida é de tal importância que, às vezes, fico surpreso que os teólogos não tomem suficiente tempo para falar dessa vida maravilhosa. Geralmente, falamos do nascimento, morte, ressurreição e segunda vinda, no entanto esquecemos de falar extensivamente da vida que é o exemplo a ser seguido por todos os discípulos de Cristo.

Não tem como negar a importância da sua morte na Cruz, Seu sacrifício no calvário, e Sua entrega pela salvação do mundo. Porém, não devemos esquecer toda a história de Jesus, se não queremos acabar esquecendo uma parte da vida dele.

Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sua morte permitiu que fossemos novamente reconciliados ao Pai, e restaurássemos a comunhão íntima com Deus. Isto é maravilhoso, e a maravilhosa graça de Deus nos alcançou para ser feitos à imagem de Cristo pelo poder do Espírito Santo.

N.T. Wright, no seu livro "Jesus and the Victory of God", escreve que Jesus fez mais que isso, Ele virou a encarnação de Israel, mostrando o verdadeiro retorno do exílio, e servindo como líder da nova humanidade, de acordo com a vontade de Deus. Esta ideia está em conformidade com a ideia da Santa Igreja Católica, o corpo de Cristo, ser a manifestação visível do Reino de Deus e a proclamação escatológica do novo céu e da nova terra. Assim, Jesus é a nova criação a qual todos somos chamados a participar por adoção, chamado e cumprimento.

Se consideramos que uma vez o pecado tenha sido destruído e temos sido limpos dele, então temos o caminho aberto para ter comunhão novamente com Deus, porque temos sido justos em Cristo pela fé. Um ato da graça de Deus para nos reconciliar com Ele. Deus é o autor e consumidor da nossa fé.

Deus faz toda a obra, nós somente podemos confessar nossa fé em Cristo e nos arrepender dos nossos caminhos. Ainda assim, estes atos são o resultado da obra já realizada pelo Espírito Santo.

A separação entre Deus e a humanidade agora é coisa do passado, porque temos a possibilidade de nos reconciliar com Deus pela obra expiatória de Cristo. Somente a fé nos abre o caminho que anteriormente podia somente ser imaginado como possível. Temos sido livres da culpa do pecado original, também do pecado que habita em nós. Agora somos livres, verdadeiramente livres. Nos mostrou esse amor eterno. Não é somente uma frase bonita para agradar as pessoas, mas uma realidade presente que transforma nossas vidas eternamente.

O amor de Deus é a maior força jamais conhecida pelo homem. Capaz de mudar a história, sendo superior a fé e a esperança. Esse amor se mostrou que Jesus se fez homem, viveu em meio da humanidade, se entregou livremente a morrer na cruz, ainda sendo inocente e sem culpa, e ressuscitou ao terceiro dia. Fez tudo isso quando ainda estamos longe dele e nem procuramos conhecê-lo. Somente podemos responder com gratidão e ação de graças diante de tal amor.

TEXTOS PARA MEDITAR

João 1.1-14; João 3.14-21; Romanos 3.20-22; Filipenses 2;5-11; Colossenses 1.15-20.

PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Quem é Jesus?

- Jesus morreu realmente pelos pecados de todo o mundo?

- Porque Jesus se encarnou e se fez homem?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

LETHAM, Robert, A obra de Cristo, Editora Cultura Cristã, SP.

MACLEOD, Donald, A pessoa de Cristo, Editora Cultura Cristã, SP.

STOTT, John, O Incomparável Cristo, ABU Editora, SP.

WRIGHT, N.T., Os desafios de Jesus, Editora Palavra, SP.











Ontem começamos juntos a caminhar uma jornada que, pouco a pouco, nos deve levar a crescer na graça e conhecimento de Deus. Não existem atalhos que nos ajudem a tal processo de transformação que é resultado do encontro com Deus. Somente o Senhor é capaz de fazer sua boa e perfeita obra.

Hoje, começaremos a explorar os Trinta-Nove Artigos da "Free Church" no Brasil (Igreja Anglicana Reformada). Um dos aspectos que sempre destaquei da sabedoria do Arcebispo Cranmer, seguindo a confissão de Augsburg, tem a ver com o fato de que começou explicando primeiro o artigo referente à fé na Trindade.

ARTIGO I - DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE
Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, indivisível não sujeito à paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Sustentador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Este Artigo de Fé se abre como um mistério diante do leitor. Os eruditos precisaram dedicar muito tempo para ser capazes de encontrar as palavras que ajudassem a explicar a realidade de Deus. O desejo de responder às perguntas tais como, "quem era Deus?" "e como esse Deus é?" tem levado a séculos de dialogo, debate e estudo para compreender  Deus por cada geração de cristãos e conhecer mais profundamente esse único Deus vivo e verdadeiro, o Criador e Sustentador do Universo.

É compreensível a dificuldade para explicar aquilo que é desconhecido, e somente compreendido através da leitura das Escrituras Sagradas e da encarnação do Filho. Nossas mentes finitas têm grande dificuldade para compreender o Deus infinito e eterno. Talvez, seja muito pedir para o homem tentar compreender Deus, no entanto Deus se faz conhecido e deseja ter um encontro conosco e manter uma comunhão íntima e pessoal. As Escrituras chamam tal relacionamento de aliança e pacto.

A própria idéia de Deus ser Três pessoas e uma mesma substância, poder e eternidade, causa dificuldade. Não deveria nos surpreender com que facilidade o ser humano tem sempre mal-entendido o mistério da doutrina da Trindade, concluindo com posições que alteram a compreensão de Deus.

Isto nos leva a considerar a importância de que tentemos explicar, inclusive com as limitações humanas, o único Deus vivo e verdadeiro. A esperança é tentar trazer clareza onde se encontra confusão. A tarefa talvez seja quase impossível, já que pedir a uma criança de quatro anos compreender todo o pensamento filosófico e moral seria pedir além do compreensível. Nós enfrentamos o desafio de compreender um Deus infinito em sabedoria, poder e bondade, com mentes finitas e limitadas pelo espaço, tempo e cultura.

Se observamos a cultura atual, as pessoas hoje abraçam filosofias morais e conceitos teológicos contraditórios sem perceber. Resulta curioso, porque estamos em uma de era da informação e comunicação, porém a desinformação é geral e a falta de comunicação crescente. Existe uma pressão de tentar mostrar o valor e conhecimento que nós adquirimos. Contudo não são poucas as vezes que comprometemos os aspectos essenciais, acabando tendo uma imagem distorcida de Deus, criando uma crise de identidade. Há o desejo de retomar a relação com Deus, mas a tentação é fazer Deus à nossa imagem e semelhança, em vez de aceitar que nós somos feitos à imagem e semelhança do Criador vivo e verdadeiro.

A certeza e segurança da fé somente será possível, confessando com fé, esperança e amor as verdades eternas. "Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, é o único Deus" (Dt 6.4). Este texto bíblico é o preâmbulo do maior dos Mandamentos, "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Dt 6.5, veja também Mt. 22.37; Mc 12.30). Jesus fez questão de nos encorajar a ter uma vida de adoração, louvor e gratidão com ação de graças a Deus. O culto não é outra coisa que viver em comunidade esta realidade.

Descobrir que o autor de Deuteronômio usa um termo que é singular e plural o mesmo tempo, nos causa confusão. Todavia, é inegável o desejo de explicar o mistério da Trindade. Deus tem uma mesma natureza, substância e poder, contudo é Três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Se faz urgente vencer a tentação de sistematizar e apresentar cientificamente a compreensão humana de Deus. Tentamos dividir as partes, desejosos de compreender a Deus, como se fosse uma peça de museu a ser estudada. Deus é invisível, sem parte e não se pode separar. Não podemos fazer a autópsia. Tentamos, contudo só resta acreditar naquilo que tem sido revelado de Deus pelo próprio Deus. Nossa sabedoria se esvanece diante do Senhor, como a areia escapa pelas mãos.

Ele é o Criador e Sustentador de todas as coisas. Isto traz segurança e paz no coração do afligido, esperança ao desanimado, determinação ao cansado, e fé ao descrente. Hoje, duas coisas restam para ser vividas. Primeiro, precisamos amar a Deus com todas nossas forças, toda nossa alma e todo nosso coração. Somente Deus é o sustentador, salvador e consolador. Ele é nosso Pai, também nosso Senhor e Salvador e, sem dúvida, Aquele que nos dá vida e nos permite dar o fruto do Espírito para a glória de Deus. Segundo, compreendemos a Eternidade de Deus. Ele é Deus sobre o tempo, o futuro e o amanhã. Sejam quais sejam os problemas, o amanhã pertence ao Senhor. Hoje, nos tem sido concedido o tempo para orar e adorar ao Senhor na beleza da Sua Santidade. Portanto, não perca tempo, e dedique cada dia um instante para estar em comunhão com Deus, meditar na Sua Palavra, participar do sacramento da Santa Comunhão e viver em unidade com toda a Santa Igreja de Cristo.

Se confia no Senhor neste instante, tenha a certeza de que Ele nos ajudará a seguir pelo caminho que leva a vida eterna, plena e completa em Cristo. Assim, poderá crescer na graça e conhecimento de Deus.


TEXTOS PARA MEDITAR

Gênesis 1; Deuteronômio 6.4-5; Salmos 19; Isaías 40.28-31; Isaías 45.5-23; João 10.30-33; João 14.


PERGUNTAS PARA REFLETIR

- Quais são as caraterísticas (atributos) de Deus que pensa ser mais significativas no Artigo?

- Tente explicar com suas próprias palavras, como o Filho e o Espírito Santo são iguais ao Pai, mas diferentes ao mesmo tempo.

- Tome tempo para reler o texto de hoje, e crescer na sua compreensão do Senhor. O que você tem aprendido hoje?


LIVROS PARA SEGUIR CRESCENDO NA GRAÇA

BRAY, G., A doutrina de Deus, Editora Cultura Cristã, SP.

PACKER, J.I., Conhecimento de Deus, Editora Cultura Cristã, SP.

SPROUL, R.C., O Que é a Trindade?, Editora Fiel, SP.






40 dias para conhecer os Trinta-Nove Artigos da Religião

Hoje é o primeiro dia da Quaresma, um dos períodos mais significativos do Ano Cristão, porque nos leva a olhar para nosso interior e descobrir como somos realmente sem máscaras. No dia a dia, nos acostumamos a levar máscaras, quer seja no trabalho, na igreja, na família. Somos prisioneiros da própria condição em que vivemos. Temos medo de mostrar quem somos realmente para não ser aceitos socialmente. No entanto, a Quaresma é um tempo para tirar as máscaras e descobrir a própria condição espiritual em que nos encontramos e nossa profunda incapacidade de olhar a Deus, sem perceber a limitação que nos envolve na nossa natureza caída.

Isto pode resultar deprimente para o homem contemporâneo, acostumado a ouvir mensagens de superação constantemente. Palavras que nos ensinam que tudo podemos fazer e tudo podemos. A realidade do cotidiano nos mostra que nem sempre conseguimos, porque o pecado ainda reside na nossa mente, alma e coração.

A Quaresma nos prepara para celebrar a Páscoa do nosso Senhor, Jesus Cristo. A Páscoa é a Vitória final sobre o pecado e a morte, sobre a escuridão e as trevas. É fácil celebrar as vitorias, porém se faz mais urgente lembrar e reviver a jornada que levou à vitória. Jesus venceu as tentações de Satanás, depois de 40 dias no deserto, sem beber e sem comer. Ele venceu aquilo que Adão e Eva não foram capazes de vencer no Jardim do Éden. Nosso Senhor foi tentado pela serpente, como Eva, contudo venceu e resistiu a tomar o fruto proibido através do jejum. Ambas situações, seguem aquela apresentada pelo apóstolo João na sua primeira carta, capitulo dois versículo seis (1 João 2.6).

Eva foi tentada, porque a árvore era boa para alimentos (Gênesis 3.6), enquanto Jesus foi tentado para transformar as pedras em pão (Mateus 4.3). Ambos foram tentados com o desejo da carne (1 João 2.16). No entanto, foi somente Jesus que venceu.

A segunda tentação foi que a árvore era agradável aos olhos (Gênesis 3.6), como todos os reinos do mundo e a glória deles (Mateus 4.8). Jesus venceu o desejo dos olhos (1 João 2.6).

A terceira tentação foi que era uma árvore a ser desejada para fazer alguém sábio (Gênesis 3.6). o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse para pular que os anjos o tomariam da mão (Mateus 4.5-6). O orgulho dos bens e a soberba da vida (1 João 2.16) foi vencida por Jesus.

E, deste modo, o novo Adão venceu aquilo que o velho Adão não foi capaz de vencer através de Eva. A morte entrou pelo Velho Adão, mas a vida eterna foi obtida pelo novo Adão.

Ainda resulta importante perceber a ação redentora de Jesus quando comparada a Israel. Jesus (Mateus 2.15), como Israel, foi ao Egito e voltou à Terra Prometida. Israel foi liberto do poder do Egito, batizado no mar morto, e testado por Deus e tentado por satanás no deserto (Êxodo 4.22). Jesus escapou da morte do rei Herodes e levado para o Egito, posteriormente de volta a Israel. Depois do seu batismo, foi levado ao deserto onde foi tentado e testado por satanás. Jesus conseguiu aquilo que Israel foi incapaz de obedecer.

Novamente, se vê com claridade a mesma estrutura das tentações de Israel como aquelas enfrentadas por Jesus no deserto. Seguindo a própria estrutura encontrada em 1 João 2.6. Israel também caiu ao desejo da carne (Números 11:1-9, 31-35), o desejo dos olhos (1 Cor. 10:7-8), e a soberba da vida (1 Cor. 10.9-10).

A obediência de Jesus nos mostra o caminho da Páscoa, porque sua obediência não foi somente resistir às tentações apresentadas diante dele e vencer as mesmas, foi além. Ele entregou sua vida pelas nossas, Sua obediência por nossa desobediência. Vencendo a morte, e derrotando o poder de satanás e subjugando os principados e poderes na Cruz (Colossenses 2.15). Jesus venceu!!! Christus Victor!

Em Cristo, temos sido adotados e feitos filhos de Deus (Efésios 1.3-14), portanto somos o verdadeiro Israel de Deus e o povo escolhido de Deus (Efésios 2.1-15, veja também Gálatas 6.16 e Romanos 11.17-20). Somos membros da Santa Igreja Católica, formado por todos os fiéis redimidos na Cruz e ressurretos em Cristo de todas as línguas, tribos, povos e nações; em todos os tempos e séculos; e para agora e sempre.

Por esta razão, a Quaresma é um tempo de reflexão onde se busca olhar a Deus para destruir a iniquidade e pecado ainda residente em nós. Nós não seremos capazes de vencer o pecado, contudo o Espírito Santo poderá destruir o poder do pecado e nos dar a força para vencer as tentações que se nos apresentam nos dias atuais.

Não tem melhor modo de começar este tempo de reflexão e busca que procurando crescer no conhecimento de Deus e na graça do nosso Senhor, Jesus Cristo. Isto poderia ser feito de muitos modos diferentes, contudo convido todos vocês a começar comigo a jornada através destes estudos sobre os 39 Artigos da Free Church of England, um cada dia, e refletindo o valor deles na nossa vida pessoal.

Um dos aspectos que mais aprecio dos Artigos da Religião é o fato de começar olhando a Deus, Criador Todo-poderoso, e somente depois começar a adentrar nas outras verdades eternas. Amanhã, estaremos descobrindo esse Deus Eterno e bondoso.


ORAÇÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZA (LOC da FCE)

Onipotente e Eterno Deus, que amas tudo quanto criaste, e que perdoas a todos os penitentes; cria em nós corações novos e contritos, para que, lamentando deveras os nossos pecados e confessando a nossa miséria, alcancemos de ti, Deus de suma piedade, perfeita remissão e perdão; por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.




“E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão” (Mateus 3:9).

Nos últimos anos, tenho percebido como tem pessoas que não procuram mais o que a Bíblia diz, mas procurar associar seu nome a nomes de autores e teólogos reconhecidos para mostrar assim a certeza da sua posição e defender suas ideias e comportamentos, ainda quando nem sempre estejam em conformidade com as Escrituras. É importante se associar com a pessoa certa, pensa o fariseu moderno, porque dá uma imagem de respeitabilidade. Ele não precisa ser espiritual, ou ter ideias próprias, somente precisa parecer espiritual e falar as cosias certas para as pessoas certas e ganhar muitas curtidas no FB. Não importa, se esquecem de amar ao próximo no caminho.

Os fariseus chegam a fazer uso inclusive das denominações para tal propósito. Alguns consideram que ser de certa denominação dá IBOPE e ninguém poderá em dúvida sua teologia, porque é desta denominação ou daquela outra. Em nome da são doutrina, se ofende e se atua em contra daquilo que se espera de um verdadeiro discípulo de Cristo. No entanto, somente precisamos encontrar o purismo ao redor de certas tradições eclesiásticas para descobrir que estar associada a esta ou aquela igreja, faz o fariseu moderno se sentir seguro na sua fé, porém distante de Deus. Essa associação faz eles sentir-se espiritualmente superior, ainda que sua vida espiritual seja igual aos antigos fariseus.

Os fariseus antigos encontravam sua segurança pelo fato de Abraão ser o seu pai. Será que os fariseus modernos tem em outros grandes homens de Deus os seus ídolos, seguranças e esperanças?

Se existe uma coisa fácil de fazer hoje em dia, em uma sociedade pós-verdade e pós-moderna, é ter uma vida espiritual vazia e, contudo, parecer espiritual por associação. Isto não é novo, porém é mortal. Nos podemos ler, falar, atuar e pensar como os teólogos e pastores que admiramos e, não, por isso, seremos considerados dignos de ser verdadeiros discípulos de Cristo.

Aprender de sábios teólogos e bons pastores é de grande importância. Participar de uma igreja saudável fundamentada na Palavra de Deus e os Sacramentos, é esperado. Ser parte de uma tradição bíblica e apostólica, sem dúvida é de grande conforto e testemunho. Contudo isto não é suficiente, se é todo o que temos.

O fariseu moderno tentará mostrar sua espiritualidade por associação, sem ter vida própria. Assim escondem atrás de nomes respeitados, em vez de mostra sua verdadeira face, e falta de espiritualidade, e comunhão com Deus. Escondendo quem são realmente, pretendem ser aquilo que nunca foram, e enganam as pessoas ao redor deles.

Sejam cuidadosos daqueles que se gloriam de quem conhecem, com quem caminham, e quem igreja se congregam, porque atrás de toda essa conversa seja somente um desejo de sentir-se superior quando, na verdade, não conhecem intimamente ao Senhor, Jesus Cristo.


Como descobrir um fariseu na sua vida? | Bispo Josep Rossello




Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles --- Hebreus 1:4

Encontramos diversos nomes para Deus nas Escrituras, um deles é o "Senhor dos Exércitos". Ele é o Senhor que tem um grande exército que incluí um número incomensurável de anjos servindo a Deus. E o próprio nome, SENHOR, manifesta a grandeza e santidade do Seu nome.

Os anjos são uma das criaturas mais interessante para ser humano, porque existe muito mistério ao redor deles, e inclusive imagens e ideias fantásticas sobre estes seres celestiais. Um fato é certo. Os anjos são servos do Deus Altíssimo que servem ao Senhor. Eles guardam as coisas sagradas que, assim, Deus deseja (Gênesis 3:24). Eles são guerreiros e lutam as batalhas (Daniel 10:13). Eles trazem mensagens de Deus (Lucas 1:26). Eles ajudam e auxiliam o povo de Deus (Atos 12:7).

Você já parou a pensar que há mais anos dos que possamos contar (Hebreus 12:22). Como os exércitos das nações, existem várias cargos e posições no exercito dos anjos de Deus. A Bíblia menciona particularmente querubim (Salmo 99:1) e serafim (Isaías 6:2).

Alguns anjos são chamados arcanjos, o que significa principal anjos (Judas 9). Aqueles anjos tem um maior honra e importância dentro da ordem de Deus. Porém nenhum deles nunca serão capazes de ser comparado a grandeza do Filho de Deus, porque o nome dEle é sobre todo nome, Jesus. Ele recebeu por doação o maior de todos os nomes (Fp 2.9-11).

Todos honraram o nome de Jesus. Esta é a declaração do Pai. Isto incluí cada pessoa, cada anjo, e cada espírito. Não importa se estão no Céu, na terra, ou no inferno. Acreditem ou não em Cristo. Todos declararam que Jesus é Deus. E isto traz curiosamente a honra ao Pai.


O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas - Hebreus 1:3

Há uma razão boa porque as pessoas encontram difícil compreender muitas coisas sobre Deus. Tem coisas que conseguimos compreender e ver, contudo há uma realidade que não conseguimos ver ainda. Há coisas maiores que não podemos compreender ainda.

O autor deseja nos ensinar que Deus o Pai é como o Filho em cada forma. As pessoas viram Jesus, mas não veriam o Pai. Assim o autor escolheu duas imagens para descrever a realidade que as pessoas não podiam ver.

1. Poderíamos dizer que vemos o sol. E o que vemos é demasiado brilhante para olha-lo por um instante. Na realidade, somente temos visto a luz que nos chega do sol. Deste modo, Jesus veio do Pai. Por um período breve, as pessoas podiam ver a grandes de Deus em Jesus (João 14:9). E fui maior e mais maravilhosa que qualquer coisa que eles podiam imaginar (Joãp 1:14).

2. Podemos ver imagens em uma moeda. Novamente, há uma realidade que não conseguimos ver. Essa moeda foi feita com uma maquina que contém a imagem original que é pressionada fortemente na moeda e, deste modo, a moeda tem a imagem perfeita. Jesus vem do Pai, e Ele tem um caráter perfeito, como o próprio caráter do Pai. Não há nenhuma diferença entre os seus pensamentos, suas palavras ou suas decisões. Eles são iguais, porque são um só Deus.

O autor de Hebreus escreve dois fatos destacáveis sobre Jesus. Há uma realidade sobre Jesus que as pessoas não podiam ver neste mundo.

1. Todo existe pela palavra poderosa de Jesus. Não poderiam existir sem ele, porque Ele é a Palavra.

2. Jesus finalizou sua obra para que Deus pudesse perdoar os atos malvados das pessoas. Por esta razão, Deus deu a Cristo o lugar mais importante no Céu (Filipenses 2:8-9). Ele está sentado em um lugar de honra na mão direita do Pai (Lucas 22:69; Atos 7:55).

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A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo - Hebreus 1:2

O propósito principal do autor é nos ensinar que Jesus é Deus. Em ordem para fazer isso, ele explica a relação ente Deus o Pai e o Filho.

É o plano do Pai que o Filho receberia todas as coisas. Isto poderia ser comparado a situação onde um grande rei que nomeia seu filho para governar seu reino. O filho talvez não governe imediatamente, porém existe a total certeza de que, no tempo certo, o desejo do pai para o seu filho acontecerá. O pai tem declarado que ele não dividirá o país entre vários governantes. Todas as coisas pertencem ao seu filho.

Uma vez dito isto, ainda que o exemplo de um rei e seu filho nos ajude a compreender, em parte, o propósito e desejo de Deus, também é certo que tem suas limitações. Temos que perceber e realizar-nos que o filho de Deus tem sempre existido. Deus - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - sempre tem existido desde eternidade passada a eternidade futura. Ele sempre tem estado aí. Ele é um Deus, agora e sempre. O Pai não criou o Filho. Porém o Pai enviou o Filho ao mundo.

Deus fez isso no inicio quando Ele criou o mundo. Em Gênesis 1, lemos sobre isto, Ele falou Sua palavra. Assim Ele criou todas as coisas pela Sua palavra, Em João 1:14, o apóstolo nos ensina que a palavra é o próprio Filho de Deus.

Nunca deveria nos surpreender aos cristãos que Deus criou o mundo. Tampouco deveria nos estranhar que Ele volte para governar Sua criação. Nos devemos esperar Deus criar e governar. Ele não seria Deus se não fosse capaz de fazer estas duas coisas.

Agora, um fato que sempre nos maravilha é o fato de que o Filho de Deus estivesse disposto a nos resgatar do pecado, destruir o poder de satanás e nos salvar da morte. Principalmente, porque éramos os inimigos de Deus. Sobretudo devido a que os inimigos de deus eram destruídos no Antigo Testamento. Porém, os evangelhos nos surpreendem com a encarnação de Deus. As nações e os povos tinham abandonado a lei de Deus e adoravam outros deuses diferentes ao único e verdadeiro Criador do Universo. Contudo o amor de Deus nos mostra um Deus que não tem esquecido o mundo, nem a Criação, deus ainda amava o mundo, assim que enviou Seu Filho Unigênito, Jesus (João 3:16). Ele enviou Jesus a salvar as pessoas que não merecia sua ajuda.

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Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho... - Hebreus 1:1.

Para Jesus e a primeira geração de Cristãos, as Escrituras Sagradas estavam compostas somente pelos livros do que hoje chamamos Antigo Testamento. Eles também acreditam que estes livros eram a revelação de Deus através dos textos sagrados. Assim, cada livro era considerado ser a perfeita Palavra de Deus. A Bíblia tem muitos escritores e autores humanos, porém somente um autor final, Deus. As pessoas que escreveram os livros sagrados, não simplesmente escreveram seus próprios pensamentos, interessantemente escreveram os pensamentos e as palavras que proveem do próprio Deus (2 Pedro 1:20-21).

Esta é a razão que a primeira geração de cristãos descreveu os autores do Antigo Testamento, como profetas. Um profeta é uma pessoa escolhida por Deus para escrever ou falar as revelações e palavras de Deus. O Profeta declara a mensagem de Deus.

Os primeiros Cristãos inclusive chegaram a descrever pessoas como Davi como um profeta. Hoje em dia, não pensamos Davi como um profeta. Porém o apóstolo Pedro assim pensava (Atos 2:29-30). E Pedro adicionou que Davi tinha descritos futuros eventos (Atos 2:31). Deus mostrou a Davi o que ia acontecer a Cristo.

O autor de Hebreus escreve que, realmente, cada livro do Antigo Testamento é realmente sobre Jesus. Pode parecer que trate outros temas; por exemplo, histórias como 2 Samuel, ou cânticos e orações como em Salmos, contudo Hebreus nos mostra como passagens destes livros apontam e nos mostram Jesus Cristo, nosso Senhor.

Os Autores do Antigo Testamento, possivelmente, nem sempre eram conscientes que estavam escrevendo sobre Jesus, contudo o Espírito Santo mostrou aos autores o que deviam escrever e como escreve-lo. Portanto, eles foram capazes de escrever os livros sagrados do Antigo Testamento.

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Pensamentos Desconexos da Reforma Protestante


Sobre a questão da Reforma, acredito que temos que ser capazes de diferenciar entre as primeiras duas gerações dos Reformadores e as posteriores... eu acredito que os primeiros reformadores realmente tentavam reformar a Igreja Católica às suas origens na igreja primitiva, e eles se consideravam os verdadeiros católicos indo contra Roma e o Papado.

Um fato pouco conhecido, e ainda mais ignorado, é que João Calvino escreveu para a Inglaterra em duas ocasiões, pedindo bispos protestantes. Infelizmente, a morte do Rei Eduardo VI e, depois, a morte de Calvino impediram tal governo se desenvolver na Europa com maior força. Contudo, existem várias igrejas que tem origem na época da Reforma Protestante com Bispos, por exemplo a Igreja Reformada Húngara.

Evidentemente, o fervor dos movimentos de mudança leva muitas pessoas irem além do necessário e, muitas vezes, acabam causando verdadeiros problemas com o tempo. Na Holanda, surge no século 17 um movimento para continuar as reformas da igreja, Nadere Reformatie, o que promoveu a ideia de constante Reforma, não baseada na igreja primitiva, mas nos princípios próprios da Reforma Calvinista. Esta mudança faz que os princípios usados pelos primeiros reformados (voltar a igreja primitiva) seja mudada pelo desejo de interpretar e ampliar os ensinos dos primeiros Reformadores.

Isto se vê claramente com o PRC (Principio Regulador de Culto) que rompe com toda a prática e liturgia cristã que tem as suas origens no Culto da igreja apostólica e patrística, na Sinagoga e na Ceia da Páscoa. Portanto, o PRC inicia um processo que nos leva aos cultos contemporâneos das comunidades evangélicas. Se desejam, ficarei feliz de explicar com mais detalhe este fato.

Por outro lado, isto se observa claramente com os debates dos nossos irmãos presbiterianos que debatem intensamente sobre como se deve interpretar a CFW (Confissão de Fé de Westminster) e o que queriam dizer os autores desta confissão. De fato, usar a CFW ou o nome de Calvino é um dos jeitos mais fácil de vencer um argumento, em vez de usar as Escrituras. O Magistério da Igreja de Roma, tão criticado pelos Reformadores, tem dado a luz um novo Magistério das Confissões.

No Anglicanismo, nunca será um argumento vencido pelos 39 Artigos, mas será através das Escrituras, sendo os 39 Artigos um apoio para compreender a interpretação das mesmas pelos Reformadores Ingleses. Deste modo, o princípio de Sola Scriptura no contexto anglicano é mantido intacto. A Escritura é a suprema autoridade, sendo a tradição e razão auxílios para compreender e aplicar as Escrituras na vida da igreja.

Voltando a questão do Episcopado Histórico, este termo tem sido usado mais comumente entre os Reformadores Ingleses e os Anglicanos através dos séculos que a terminologia atual de "sucessão apostólica". É interessante o crescente número de igrejas luteranas que tem Episcopado Histórico na África e Ásia, como outras igrejas protestantes e evangélicas. Infelizmente, não temos uma igreja luterana com Episcopado.

SOBRE O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO


O PRC (Principio Regulador do Culto) foram diretrizes teológicas criadas durante os século17 para substituir as anteriores liturgias usadas pela Igreja de Cristo que se remonta a igreja primitiva (primeiros 5 séculos da Cristandade).

Os reformadores alemães, ingleses e holandeses tentaram simplesmente modificar a liturgia cristã dos erros desenvolvidos na Idade Média pela Igreja de Roma (Católica Romana). Porém, o PRC é uma ruptura completa com a liturgia cristã antiga em nome de uma ideia romântica, contudo irreal.

Podemos afirmar que observamos alguns elementos do PRC com alguns reformadores, como Calvino, porém "The forms of prayer" de Calvino mantém a ordem de culto encontrada nas liturgias primitivas.

John Knox, reformador escocês, criticou a liturgia de Cranmer (LOC), acabou escrevendo uma liturgia a qual claramente é semelhante a ordem de culto da Santa Comunhão do LOC, somente com pequenas mudanças. Na Escócia, se usou o LOC inglês com normalidade até a decisão do Arcebispo Laud de introduzir forçadamente um novo LOC sem consultar a Igreja Escocesa, acabando tal decisão em uma guerra.

Muitos dos puritanos foram a favor de usar e usaram o LOC, sem maiores problemas. Contudo os puritanos presbiterianos desejavam maiores reformas, sobretudo a partir do rei Tiago e com a chegada das ideias da escola " Nadere Reformatie" da Holanda. Curiosamente, os reformadores holandeses têm escrito amplamente contra o PRC (Principio Regulador do Culto).

A Assembleia de Westminster acabaria adotando o Diretório de Culto de Westminster, e proibindo o uso do LOC. Aqueles que tanto criticaram o fato de que somente era permitido o LOC para o culto e chegando a causar conflitos militares e mortes, agora proibiam o LOC e impõem por lei o usou do Diretório de Culto de Westminster.

Curiosamente, com a Restauração da Monarquia, depois da morte do ditador puritano Oliver Cronwell, Richar Baxter (um dos maiores líderes puritanos da época) apresenta a Liturgia de Savoy para ser adotado pela Igreja da Inglaterra, infelizmente a Conferencia de Savoy acabou não aceitando muitas das propostas nele apresentado. Porém, hoje em dia, a liturgia de Richard Baxter seria usada com total normalidade em qualquer paróquia anglicana.

De fato, existe um LOC que seria aprovado pela Igreja Presbiteriana nos USA, não confundir com PCUSA, e que o mesmo tinha sido aceito pelos teólogos de Westminster.

Isto nos ajuda a ter uma compreensão básica histórica do desenvolvimento do PRC (Principio Regulador do Culto).

Agora bem, o que o PRC diz? Em princípio, aquilo que diz, é uma ideia que todos nós deveríamos gostar e aceitar... porém que não é possível levar a prática, causando assim conflitos desnecessários.

PRC diz que o culto cristão tem que fazer somente aquilo que está regulado, ou claramente ensinado, ou tem diretrizes claramente especificas nas Escrituras e ordenado por Deus para ser feito no culto cristão. (Derek W.H. Thomas, ministro sênior da First Presbyterian Church in Columbia, S.C.)

O problema surge que o NT não contém muitas orientações sobre o culto cristão, de fato a maioria das orientações e elementos litúrgicos no NT, se encontram mais no livro de Apocalipse que em qualquer outro livro do NT.

Curiosamente, um dos textos bíblicos mais usados para defender o PRC, é um texto do AT o qual trata do culto no AT, e não do culto do NT. Deste modo, cometem um erro de exegeses e interpretação gravíssimo, ciando um forte argumento baseado em um erro de interpretação básico: interpretar o texto no seu contexto e não ler nele aquilo que desejamos ler por posições teológicas previamente definidas.

A Confissão de Fé de Westminster, no cap. 21 art. 1, nos dá uma clara definição do que é o Princípio Regulador do culto. Ela diz: “...o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”.

Eu posso dizer um AMEM a tal declaração da CFW, sem usar o Diretório de Culto de Westminster, porém usando o Livro de Oração Comum.

Rev. Olivar no site Bereianos escreve, "O princípio regulador do culto é claramente expresso nas Escrituras, mostrando que tudo o que não é ordenado pela Escritura no culto a Deus é proibido. Os textos-chave são: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando” (Dt 4.1,2). “Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, depois que forem destruídas diante de ti; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu. Assim não farás ao Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses. Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Dt 12.30-32)."

Portanto, um analises desses textos nos seus contextos bíblicos nos ajuda a perceber os erros claros de interpretação realizado pelos defensores do PRC.

Aqueles que usam o PRC, devem de explicar porque as igrejas deles têm a estrutura que tem, porque o púlpito está no centro, porque o culto é nesta ou àquela hora, porque não fazem palmas durante o culto, entre outras mil coisas que eles fazem e a Bíblia está em silencio... ou a Bíblia fala e eles não fazem.

A simplicidade dos lugares de culto e o foco na pregação levou a uma desconsideração alarmante dos sacramentos, sobretudo da Santa Comunhão, e inclusive pregações poucos relevantes a vida dos cristãos, porém sendo verdadeiras palestras de faculdade teológica. Desta forma, as igrejas que seguem o PRC são fortes em informar os seus membros, porém tem grande dificuldades em formar cristãos. James K.A. Smith fala de forma excelente sobre esta questão no seu livro, "Desiring the Kingdom"

Com os avivamentos do século 18 e 19, o culto começa a mudar de ser a congregação dos santos diante da presença do Senhor para ser o evento central para evangelizar e pregar a Palavra de Deus. Contudo, Atos é claro que a pregação da Palavra acontecia fora da liturgia e o ensino durante a liturgia. A pregação não requer um púlpito e uma plateia... isto tem feito surgir nos nossos dias um crescente nome de ministros que querem ser palestrantes da Palavra, porém não pastores do rebanho do Senhor.

Se somente devemos fazer aquilo que aparece nas Escrituras, então observamos que as comunidades evangélicas fazem exatamente isso... cantam, apresentam as ofertas, pregam e oram uns pelos outros ao final do culto. Inclusive fazem palmas e dançam, como observamos nos Salmos. Portanto, não será que estas comunidades evangélicas são mais fiéis ao PRC que aquelas igrejas que defendem o PRC?

Para finalizar, a maiorias dos presbiterianos, luteranas, reformadas holandesas, anglicanas, metodistas, etc., usam liturgias que tem sua origem na igreja primitiva. A maioria dos presbiterianos na América do Norte usam a liturgia conhecida, como Book of Common Worship.

Esta seria a explicação resumida pelo qual sou contra ao PRC, ainda que concordo com as Escrituras que não devemos fazer nada que seja contrário as mesmas e fazer todo aquilo que claramente é ensinado nas Escrituras.

Os 39 Artigos dizem o seguinte, ARTIGO XX – DA AUTORIDADE DA IGREJA

A IGREJA tem poder para decretar ritos ou cerimónias, e autoridade nas controvérsias da fé. Contudo, não é lícito à Igreja ordenar coisa alguma contrária à Palavra de Deus escrita, nem expor um lugar da Escritura de modo que contradiga outro. E, posto que a Igreja seja testemunha e guarda dos Escrituras Sagradas, todavia, assim como não lhe é lícito decretar coisa alguma contra eles, também não deve apresentar o que neles se não encontra, para que seja acreditado como necessário para a salvação.

Isto se vê claramente quando o povo de Israel, sem mandato direito de Deus, decidem estabelecer o sistema e estruturas do judaísmo a redor das Sinagogas... e desenvolvem um culto o qual não tem claro ordenanças do Senhor para fazer o mesmo.





A maioria dos povos no mundo pré-cristão seguiam uma prática, culto e crença politeísta, por outro lado observavam a criação como sendo o Criador. Somente encontramos uma exceção a esta norma. Um pequeno povo desconhecido no Oriente Médio, Israel.

Israel foi único na sua crença, não somente por acreditar que eram o povo escolhido por Deus, mas também pela própria crença monoteísta. Deus confiou o verdadeiro conhecimento dEle para Israel. Eles tinham acesso ao Criador do universo e Soberano Deus sobre todas as nações, portanto ainda sendo um pequeno povo, compreendiam que todo o que tinham era resultado da graça e a misericórdia de Deus. Sua existência tinha significado no Criador que tinha sido revelado.

Os antigos Judeus conheciam a Deus não pelos livros, não por ter recebido conselho de sábios, mas pela sua própria experiência, como povo escolhido por Deus. Noé, Abraão, Isaac, Moises, Elias, e tantos outros homens santos de Israel não simplesmente contemplaram Deus e oraram ao Senhor; eles chegaram a ver Ele com os seus próprios olhos, conversaram com Ele, e caminharam diante dEle. Existe uma grande diferença entre conhecer alguém pelos livros, e conhecer pessoalmente.

Cada uma das revelações de Deus no Antigo Testamento leva uma natureza pessoal. Deus é revelado a humanidade não como uma força abstrata e distante, mas como um Ser vivo e presente, Quem fala, escuta, vê, pensa e ajuda. Deus toma uma parte vital e ativa na vida de Israel. Quando Moises dirigiu o povo da escravidão de Egito para a liberdade da Terra Prometida, o próprio Deus vai diante deles na forma de uma coluna de fogo. Deus habita em meio do Seu povo, ouve as Suas orações e vive na casa que eles têm construído para Ele. Quando o Rei Salomão completou a construção do Templo, ele chamou a Deus para viver nele. Deus se aproximou ao Seu povo e viveu em meio deles, no lugar que o Seu povo construiu para Ele. Aquele que criou o mundo, e que o mundo não pode conter, porque está além da própria criação, se revelou ao Seu povo escolhido e habitou em meio deles. Ele que é invisível e faz visível o mundo, se fez presente. Tal mistério difícil é de compreender, porém é a alegria do povo de Israel.

Esta é a maior surpresa sobre a verdadeira religião sendo revelada: Deus permanece ainda sobre o véu de um mistério, continua desconhecido e, ainda assim, Ele está perto do povo. Eles chamam o Senhor do ‘nosso Deus’ e ‘meu Deus’. Aqui é onde encontramos o espaço impossível de ser preenchido entre a revelação divina e a capacidade do pensamento humano: o Deus dos filósofos continua abstrato e sem vida, uma ideia criada para satisfazer suas próprias mentes, como observamos a necessidade de criar uma multidão de deuses, não somente no mundo antigo, mas também na modernidade. Por outro lado, o Deus da revelação é um Deus vivo, próximo e pessoal. Ambas sendas concordam que Deus é incompreensível e que ele é um mistério; porém a filosofia nos abandona no pé da montanha, sem nos capacitar subir a montanha, enquanto a verdadeira religião nos leva na cima da montanha onde Deus nos mostra o horizonte. Nos leva ao desconhecido além de todas as palavras e deduções racionais fazem sentido, nos abrindo o mistério de Deus.





O ser humano tem buscado o sentido da sua existência desde que foi criado e vive na Terra, como um constante martelo que não permite silenciar a questão levantada pela sua própria mente. Na Grécia Antiga, os filósofos estudavam o universo e suas leis. Eles investigavam a natureza humana e a razão, esperando descobrir conhecimento da primeira causa de todas as coisas. Os filósofos não somente estavam envolvidos em debates racionais e lógicos, mas também estudavam astronomia e física, matemática e geométrica, musica e poesia. A diversidade de conhecimento era em muitas ocasiões acompanhado com uma vida e oração ascética, sem a qual era impossível obter um katharsis, uma purificação da mente, alma e corpo.

Estudando o mundo visível, os filósofos chegaram a conclusão que não existia anda acidental no universo, que cada detalhe tinha seu lugar e cumpria seu papel sendo subjetivo a leis estritas: os planetas nunca iam fora da sua orbita e os satélites sempre estavam a mesma distancia dos seus planetas. Cada coisa no mundo era de tal modo harmoniosa e significativa que foi chamado de ‘cosmos’ que significa lindo, ordem, harmonia, em oposição ao ‘caos’ que é desordem e desarmonia. Para eles, o cosmos é um mecanismo gigantesco no qual um só ritmo indestrutível está trabalhando, um só pulso regular. Mas cada mecanismo tem sido criado por alguém, assim como cada relógio necessita ser construído. Portanto, os filósofos chegaram a ideia de um só Autor do universo. Platão chamou Ele do Criador, Pai, Deus e Demiurge (Criador ou Artesão).

Os filósofos gregos também falavam sobe Logos, que comunicava a ideia de ‘palavra’, ‘razão’, ‘ideia’, ou ‘lei’, que era originalmente percebido como uma lei eterna e geral sobre a qual o mundo completo é construído. Em qualquer caso, o Logos não é somente uma ideia abstrata: é também uma força criada divina mediadora entre Deus e o mundo criado. Este era o ensino de Philo de Alexandria e os Neoplatônicos.

Plotino, um representante da escola Neoplatônica, enfatizou a transcendência, sem infinidade, sem limites e incompreensível da Divindade. Nenhuma definição pode chegar a descrever na sua totalidade, nenhum atributo pode ser dado a ele. No ser da plenitude do Ser, o Único, como Plotino chamou o Príncipe altíssimo, Deus, engendra todas as outras formas de ser, do qual o primeiro é a Inteligência e o segundo a Alma. Além dos confines do circulo da Alma se encontra o mundo material, que é, o universo, no qual a Alma dá vida. Portanto, o mundo é um tipo de reflexo da realidade divina e leva nela as marcas de beleza e perfeição. O Único, a Inteligência e a Alma compreendem em total uma Tríade Divina (Trindade). Através da purificação (katharsis), podemos ser elevados a contemplação de Deus. Contudo o único continua permanecendo incompreensível e inacessível. Ele permanece um mistério.

Com estes exemplos de Platão a Plotino, vemos que os filósofos gregos se aproximaram as verdades que finalmente foram reveladas na Igreja de Cristo: o único Deus, o Criador do mundo, o Logos divino, a Santíssima Trindade, a visão de Deus, a santificação do pecador arrependido. Por este motivo, alguns chegaram a chamar os filósofos gregos como “cristãos antes de Cristo”.



Através dos séculos e o tempo, as pessoas têm vindo a Deus em diversos modos. A história de cada pessoa tem sido única, ainda quando tem pontos em comuns com outras pessoas. Algumas vezes o encontro é rápido e inesperadamente, outras vezes é preparado por um longo caminho de busca, dúvida e desilusão. Ocasionalmente Deus se revela de forma imprevista, outra é um caminho de constante descoberta. Algumas pessoas encontram na juventude ou infância, enquanto outro quando são adultos ou idosos. Não há dois pessoas que tenham chegado a Deus da mesma forma, contudo encontramos pontos em comum. Somos pessoas buscando sentido na vida, e a vida somente tem sentido em Cristo. Ainda quando os caminhos escolhidos talvez nos levem longe de Deus, curiosamente o Senhor sempre encontrará um modo de nos ajudar a encontrar-Lo. Essa descoberta pessoal não é somente que a própria realização de Deus se revelando a nos. Por isso, o salmista clama “Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te busco intensamente; a minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água” (Salmos 63:1). Deus é o mesmo para todos os povos, Ele é o Senhor Deus, Todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra.

A conversão é sempre um milagre e um dom, já seja de repente e inesperadamente ou gradual. Tem gente que busca toda sua vida antes de vir até Deus, porém não é o individual que descobre a Deus, em vez disso devemos compreender que Deus é quem captura o individuo. O desejo de busca é parte da própria jornada de encontro com Deus. O Senhor se aproxima ao Seu povo com o desejo de ser encontrado. Agostinho, por exemplo, passou através de muitas situações na busca pela verdade. Ele passou muito tempo lendo muitos filósofos e teólogos antes de compreender, já com trinte e três anos, que não podia viver sem Deus. No século 21, as pessoas começam sua busca de formas diferentes, por necessidades, emoções, amizades, etc., isto leva a conceitos e ideias abstratas de “verdade” através das suas experiências ou a experiências de outros; outras pessoas buscam em livros antes de chegar a autentica revelação do Deus pessoal.

Alguns acabam chegando a Igreja através de caminhos tortuosos, através de seitas e, inclusive, outras religiões. Por outro lado, tem aqueles que somente através da catástrofe, tais como a perda do ser amado, uma enfermidade, ou um colapso, ou a desilusão das expectativas, fazem que acordem. Em meio das desgraças, sentimos nossa pobreza profundamente, através da realização de que temos perdido todas as coisas e não temos mais nada ou ninguém a quem ir, exceto Deus. Somente então é que nos encontramos clamamos a Deus de profundis, das profundezas (Salmos 130.1), do lugar da mais profunda angustia e dor.

A conversão pode também chegar como resultado de conhecer um verdadeiro cristão, já seja um presbítero ou um leigo. Não tem sido pouca as vezes que as pessoas chegam até Deus através do seu povo.

Finalmente, há o que tem sido modo natural e orgânico para alcançar a Deus: ser o filho de uma família cristã e crescer como um crente. Aqui também a fé recebida através das nossas famílias tem que ser amadurecida através do pensamento e vivencias pessoais. A fé deverá ser feita pessoal e real na vida do individuo e sua própria experiência. Há muitas pessoas de famílias cristãs que acabam rompendo os seus laços com a fé dos seus antepassados, porque o encontro milagroso com Deus não acontece. Como isto acontece, nem sempre é compreensível. O que temos certeza é que ninguém é nascido a crente. A Fé é um presente de Deus, uma dadiva maravilhosa, nos somente podemos receber com a única certeza de que temos recebido muito mais do que poderíamos imaginar nunca.




Nunca tem sido fácil ouvir a mensagem da fé. Estamos tão envolvidos nos problemas de cada dia que terminamos não tendo tempo para esta mensagem e refletir sobre Deus.

Para alguns, a fé se resume a Natal e Páscoa, e alguma outras tradições.

Outros estão tão ocupados que não tem tempo para ir ao culto. Trabalho, trabalho, e mais trabalho. Ser uma pessoa ocupada parece ser um orgulho aos olhos dos amigos e colegas. Esta visão fruto dos tempos modernos nós afastam da essência do ser, e nos leva a vida do ter. Temos trocado a humanidade pelo materialismo.

Para outros, tais são as preocupações que consumem totalmente sua mente que não tem espaço para o silêncio onde encontramos a voz de Deus.

E, todavia, em meio de tanto barulho, ainda hoje é possível ouvir o misterioso chamado de Deus nos nossos corações e mentes. Porque se o coração do homem é enganoso, verdadeiro é o chamado de Deus.

Este chamado nem sempre é compreendido como a voz de Deus. Talvez, seja compreendido como a nossa própria emoção, ou a pesquisa do próprio desejo por Deus.

Infelizmente, muitas pessoas chegam a perceber a realidade de Deus somente depois de anos vivendo vidas vazias. Agostinho escreveu, “Tu nos tens feito para ti, e nosso corações estão inquietos até que descansam em Ti”.

Sem Deus, nunca há plenitude de ser. A vida está vazia, por isso vida em Cristo é plena e abundante. Temos trocado Deus pelas coisas que Deus nos pode dar, porque temos esquecido o ser por ter. Por esta razão, é crucial para todos nós sermos capazes de ouvir e responder a voz de Deus. Se Deus nos chama, nossa resposta é dizer, ‘Me perdoe Deus, por ter vivido longe de ti’ e, logo depois, falar, “EU CREIO EM DEUS, O PAI, O FILHO, E O ESPÍRITO SANTO”.

Se alguém ouve o chamado de Deus, e responde ao mesmo, com um coração contrito; isto mudará sua vida para sempre. Jesus disse: “Todo aquele que meu Pai me dá, esse vem a mim e o que vem a mim, de modo algum eu o lançarei fora”.

"Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento" (1 Coríntios 1:26)